- A LVMH registou um aumento orgânico de 1% nas receitas no primeiro trimestre de 2026, para cerca de €19,1 mil milhões, ligeiramente abaixo da perspetiva de 2% de crescimento dos analistas.
- As ações recuaram mais de 2% após o anúncio.
- O Médio Oriente tornou-se um travão, com quedas de dois dígitos nas vendas regionais, levando a uma redução de cerca de um ponto percentual no crescimento do grupo.
- Desempenho por divisões: moda e artigos de couro caiu 2% (Louis Vuitton estável; Dior com melhorias; Loro Piana em dois dígitos); vinhos e espirituosas +5%; relojoaria e joalharia +7%.
- Perspetivas: analistas mantêm cautela; Deutsche Bank adaptou o preço-alvo para €600, reduzindo também a previsão de lucro por ação para 2026 em 3%; foco no controlo de custos sem comprometer o crescimento, com possíveis impulsos na segunda metade do ano através de novas direções criativas (Dior).
A LVMH registou um aumento modesto de 1% nas receitas orgânicas no primeiro trimestre de 2026, totalizando cerca de 19,1 mil milhões de euros. O resultado ficou aquém das expectativas de crescimento de 2% previstas pelo mercado.
As ações da empresa recuaram mais de 2% após a divulgação dos dados, sinalizando cautela entre investidores.
O Médio Oriente emergiu como travão para o grupo, com quedas de vendas em dois dígitos atribuídas, em parte, à guerra no Irão.
A divulgação aponta que a quebra regional retirou cerca de um ponto percentual ao crescimento do grupo no trimestre.
Apesar de sinais de recuperação noutras zonas, as perdas na Europa e no Japão anularam ganhos nos EUA e na região Ásia-Pacífico.
Globalmente, as marcas de topo continuam sujeitas à volatilidade económica e política.
Desempenho por divisão
A divisão de moda e artigos de couro registou uma queda de 2% nas receitas orgânicas, para cerca de 9,2 mil milhões de euros.
A performance refletiu uma redução acima do esperado, ainda que Louis Vuitton tenha mantido resiliência e Dior tenha melhorado.
Loro Piana cresceu em dois dígitos, demonstrando atratividade do segmento de luxo discreto entre clientes ultrarricos.
A unidade de vinhos e espirituosas subiu 5% nas receitas, impulsionada por envios estratégicos de conhaque antes do Ano Novo Chinês e pela estabilização do champanhe.
O segmento de relojoaria e joalharia apresentou crescimento sólido de 7%, com avanços na Tiffany e na BVLGARI.
Perspetivas e ajustamentos
Analistas adotaram tom cauteloso, apesar de avaliações gerais positivas.
O Deutsche Bank reduziu o preço-alvo de 620 para 600 euros, mantendo a recomendação de compra, e cortou previsões de lucro por ação para 2026 em 3%.
A gestão mantém o foco no controlo de custos, sem comprometer o crescimento futuro.
Para o segundo semestre, espera-se impacto de novas direções criativas em Dior, entre outras marcas.
Especialistas destacam que uma resolução dos conflitos no Médio Oriente pode atuar como catalisador positivo para as ações.
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