- O historiador Diogo Ramada Curto (1959‑2026) ficou conhecido pelo ensaísmo, combinando erudição de arquivos com uma leitura interdisciplinar crítica das ciências sociais e humanas.
- Destacou-se pela monografia sobre o discurso político em Portugal entre 1600 e 1650 e por questionar o sebastianismo na vida quotidiana, contribuindo para a história de baixo para cima.
- Atuou internacionalmente como professor visitante em Paris, São Paulo, Brown e Yale, lecionando oito anos no Instituto Universitário Europeu de Florença, e escreveu sobre cartografia, direito colonial, redes mercantis e África lusófona.
- Interessou-se pela história literária, pela história do livro e pelos movimentos intelectuais dos séculos XV a XX, com obras como Cultura Escrita e estudos sobre a expansão portuguesa e Luandino Vieira.
- Como cronista no Público e no Expresso, testou ideias e gerou polémicas, editando volumes de ensaios e contribuindo para a formação de novas gerações de historiadores.
Diogo Ramada Curto, nascido em 1959, faleceu em 2026, deixando um legado marcante no campo da história. Era reconhecido pelo ensaísmo inovador, que fundia arquivo e bibliotecas com uma leitura interdisciplinar de ciências sociais e humanas.
O historiador iniciou com uma monografia sobre o discurso político em Portugal entre 1600 e 1650, ampliada à cultura política da União das Cortes Ibéricas. Questionou o sebastianismo e analisou a vida intelectual durante o período ibérico.
Definiu a história de baixo para cima, desconstruindo narrativas recebidas para ver o que está por detrás do ponto de vista ideológico. A pesquisa de arquivo reforçava a sua argumentação contra a corrente.
Legado e influência
Como professor visitante atuou em Paris, São Paulo, Brown e Yale, tendo leccionado oito anos no Instituto Universitário Europeu de Florença. O seu pensamento era aberto e inquiridor, refletindo-se na edição de obras e em debates sobre a história da cartografia e redes mercantis.
Publicou estudos sobre cultura jurídica colonial e a expansão portuguesa, com contributos marcantes sobre Luanda e Angola. Entre os destaques estavam trabalhos sobre intérpretes africanos, a língua e a presença africana em Lisboa desde o século XV.
A sua actividade de cronista no PÚBLICO e no Expresso serviu para testar ideias e gerar polémicas, sempre com base em pesquisa extensa. No final, reuniu ensaios em volumes relevantes, como *Imperial Culture and Colonial Projects: the Portuguese-Speaking World from the Fifteenth to the Eighteenth Centuries*.
Diogo Ramada Curto manteve fortes ligações com universidades internacionais, em França, Estados Unidos e Brasil. Lançou colecções de Ciências Sociais e Humanas para ampliar a divulgação de ideias, influenciando novas gerações de historiadores com um estilo marcado pela erudição, humor e liderança de tertúlias.
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