- Samanta Schweblin venceu a primeira edição do Prémio Aena de Narrativa Hispano-americana, recebendo um milhão de euros, em Barcelona.
- A escritora argentina foi premiada pelo livro “O Bom Mal”, enfrentando cinco finalistas.
- A atribuição gerou polémica, pela intervenção de uma empresa de aeroportos na atribuição de um prémio literário, em vez de uma editora.
- A Aena comprometEu-se a gastar um segundo milhão na compra de exemplares dos finalistas (cinco a dez mil cada título) para distribuir a funcionários e bibliotecas.
- O júri foi presidido pela escritora Rosa Montero; o presidente da Aena, Maurici Lucena, afirmou que o mecenato privado é uma opção simples.
O Prémio Aena de Narrativa Hispano-Americana entregou-se na noite de quarta-feira, em Barcelona, a Samanta Schweblin, pela obra O Bom Mal. O galardão atribui um milhão de euros ao vencedor, num contexto de polémica e curiosidade no sector literário.
Criado pela gestora de aeroportos Aena, o prémio gerou espanto pelo seu valor e pela natureza não ligada a uma editora. O evento ocorreu durante um jantar que refletiu nervosismo entre convidados e jornalistas espanhóis.
Quatro finalistas compunham a lista anunciada a 18 de março: A Nossa Hora, Héctor Abad Faciolince; Marciano, Nona Fernández; Los Ilusionistas, Marcos Giralt Torrente; e Cânone de Câmara Escura, Enrique Vila-Matas. Schweblin destacou-se entre eles.
Para além do milhão, a Aena comprometeu-se a gastar outro milhão na compra de exemplares dos finalistas, entre 5 mil e 10 mil por título, para distribuir por funcionários e bibliotecas onde opera. Os restantes quatro finalistas receberam 30 mil euros cada.
O júri foi liderado por Rosa Montero, escritora e jornalista. O presidente da Aena, Maurici Lucena, afirmou que o mecenato privado pode apoiar a cultura sem ligação direta às atividades empresariais.
A cerimónia atraiu cobertura de imprensa em Espanha, com foco na forma de financiamento e no impacto possível no mercado editorial espanhol. ODaily El País, entre outros, descreveu o dia como carregado de tensão e expectativa até ao anúncio.
Samanta Schweblin agradeceu a vitória durante a cerimónia, destacando a importância da narrativa breve na sua obra. A autora argentina tem já obra publicada em Portugal pelas editoras Elsinore e Dom Quixote.
O prémio, ainda em estreia, surge numa altura em que o sector discute o valor de um prémio milionário vindo de uma empresa, não de uma editora. O caso alimenta o debate sobre modelos de financiamento e alcance cultural.
Entre na conversa da comunidade