- A União Europeia investe 115 milhões de euros no programa AGILE, para IA, drones, robótica, computação quântica e cibersegurança.
- A investigação europeia é de nível mundial, mas a aplicação prática na defesa é inferior à dos EUA.
- Nos últimos dez anos, os EUA investiram cerca de 70 mil milhões de dólares em capital de risco para tecnologia de defesa, contra 7 mil milhões de euros na Europa.
- Em drones, a Europa perde em ritmo de aquisição e dependência de cadeias de fornecimento chinesas, com os EUA a transformar ideias em armas com maior rapidez.
- O AGILE, a par de EDIRPA e ASAP, pretende reduzir a diferença estrutural entre investigação e aplicação, num processo que pode levar cinco a dez anos, com necessidade de mais capital para escalar startups europeias.
A União Europeia investe 115 milhões de euros em IA, drones, robótica, computação quântica e cibersegurança, através do programa AGILE. A notícia chega numa altura em que a Europa é líder em ciência, mas fica para trás na aplicação prática.
Uma investigação da BCG, com o general Lavigne, alerta para o fosso entre investigação de ponta e uso militar. Os cientistas europeus dominam a teoria; os EUA avançam mais rapidamente na implementação e nas patentes.
A análise destaca que a diferença não é de talento, mas de ritmo de aproveitamento. Nos últimos 10 anos, os EUA investiram 70 mil milhões de dólares em capital de risco para defesa, face a 7 mil milhões de euros na Europa. A aplicação é o grande desafio.
O paradoxo da investigação
Na prática, a Europa produz investigação fundamental de topo em IA, quântica e robótica, mas o ritmo de entrada de tecnologia no terreno é lento. A disparidade de financiamento e de sistemas de aquisição é evidente.
A Europa ainda depende de cadeias de fornecimento externas, especialmente na China, para componentes centrais de drones. Enquanto as patentes nos EUA crescem, a aplicação na prática continua mais lenta na Europa.
Drones: o exemplo mais visível
Antes da invasão da Ucrânia, poucos exércimos europeus tinham mais de 2.000 drones. Atualmente, as campanhas utilizam entre seis e sete milhões de drones por ano, evidenciando a necessidade de aquisição mais ágil.
O ritmo de inovação dos drones é rápido, com evoluções a cada três a seis meses. O sistema europeu, desenhado para ciclos longos, não acompanha o turbilhão tecnológico.
A máquina de aplicação que a Europa não tem
Os EUA mantêm unidades de aquisição que encurtam prazos de apresentação de projeto a contrato para 60 a 90 dias, com entrega ao terreno em menos de dois anos. A Europa não tem equivalente em escala semelhante.
O AGILE pretende reduzir a diferença estrutural, não a científica, e junta-se a mecanismos como EDIRPA e ASAP. Lang reconhece o valor, mas frisa que ainda há fragmentação na defesa europeia.
O caminho para uma base soberana
Fontes indicam que a mudança pode levar uma década. Grandes empresas de defesa e ministérios já mobilizam recursos, mas a criação de uma base tecnológica militar europeia soberana exige um esforço generacional.
A crítica central é a falta de capital que transforme pesquisas em capacidades operacionais. O apelo é para mobilizar mais financiamento para apoiar startups que transformem ciência em uso prático no campo de batalha.
Entre na conversa da comunidade