- A vice-presidente da ENTSO-E afirmou que o apagão de 28 de abril de 2025 teve origem em Espanha, mas podia ter acontecido em qualquer país, e que é importante aprender com o incidente.
- A investigação concluiu que o problema resultou de uma subida rápida da tensão em Espanha, seguida de uma cascata de desligamentos de produção e perda de sincronismo com a Europa.
- A ENTSO-E emitiu vinte e duas recomendações específicas, que implicam ajustes na regulação europeia e nacional, com acompanhamento junto de reguladores.
- Susana de Graaff destacou que o objetivo não é apontar culpados, mas analisar factos e assegurar medidas para manter o serviço aos consumidores 24 horas por dia, 365 dias por ano.
- O apagão na Península Ibérica ocorreu a 28 de abril de 2025, afetando milhares de pessoas; em Portugal o apagão registou início às 11h33.
O vice-presidente da ENTSO-E afirmou durante uma audição na Comissão de Ambiente e Energia que o apagão de 28 de abril de 2025 teve origem em Espanha, mas poderia ter acontecido em qualquer país. A intervenção ocorreu no contexto do Grupo de Trabalho sobre o apagão ibérico.
Susana de Graaff reforçou que as recomendações da investigação técnica europeia não são direcionadas a Portugal ou Espanha, mas ao sistema elétrico europeu como um todo. O objetivo é aprender com o incidente para evitar falhas futuras e manter o serviço aos consumidores 24 horas por dia.
A responsável, que já trabalha há 26 anos na operação do sistema, destacou que cada apagão é diferente e que o essencial é analisar, aprender e implementar medidas que assegurem a continuidade do fornecimento. A avaliação aponta para uma cascata de eventos triggered por uma subida rápida da tensão na rede espanhola.
Contexto técnico
Segundo a investigação, a subida abrupta de tensão na rede de Espanha desencadeou uma sequência de desligamentos de produção que levou ao colapso do sistema. A análise indica que a falha envolveu uma perda de sincronismo com a Europa, incluindo ligações com França e Marrocos, e que o sistema de defesa atuou, mas não impediu o colapso.
As 22 recomendações, consideradas muito específicas, estão a exigir ajustes da regulação europeia e nacional. A ENTSO-E e a Comissão Europeia trabalham de forma conjunta para adaptar as regras às necessidades do sistema elétrico ibérico e europeu.
Medidas em curso
De Graaff explicou que o acompanhamento da implementação das recomendações decorre junto dos reguladores europeus e nacionais. Há várias medidas técnicas que podem ser adotadas para tornar o sistema mais estável, com foco na regulação, na gestão de tensão e na fiabilidade das interligações.
A responsável reiterou que o objetivo é manter o serviço aos consumidores de forma contínua, independentemente de condições adversas. O trabalho é contínuo e envolve a monitorização diária da aplicação das recomendações e ajustes regulatórios necessários.
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