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Alívio nos preços do petróleo e gás pode demorar

Alívio dos preços de petróleo e gás parece temporário: o cessar-fogo é frágil e o Estreito de Ormuz continua sob controlo iraniano, mantendo volatilidade energética

O regresso à normalidade pré-guerra parece distante
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  • O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão levou a uma queda abrupta dos preços de energia, com o Brent a recuar para cerca de 94,80 dólares o barril, após uma queda de 13% a 15%.
  • O Irão manterá controlo significativo sobre o Estreito de Ormuz, mantendo o regime de fornecimento global vulnerável e politicamente frágil.
  • O gasóleo em Portugal chegou a 2,3 euros por litro, e analistas indicam que o alívio aos consumidores pode ainda não chegar de imediato devido a constrangimentos logísticos e de refino.
  • A Comissão Europeia já pediu coordenação para assegurar o aprovisionamento, com possível uso de stocks de emergência e medidas de poupança de combustível.
  • A ERSE propôs um aumento de 6,3% nas tarifas de gás natural para o mercado regulado a partir de 1 de outubro de 2026, enquanto o Qatar enfrenta reconstrução de instalações de GNL que pode levar de três a cinco anos.

O regresso à normalidade energética pré-guerra continua distante, mesmo com um breve alívio nos mercados. O cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irão, mediado pelo Paquistão, abriu um alívio temporário nos preços da energia. O Estreito de Ormuz, passagem de cerca de um quinto do petróleo e do GNL mundial, mantém-se sob forte controlo.

Os mercados reagiram com curiosa rapidez: o Brent caiu entre 13% e 15%, abaixo dos 100 dólares e perto de 94,80 dólares por barril. O gás natural, pelo contrato TTF de maio, recuou perto de 44 euros por MWh. O efeito sustentável depende de negociações formais marcadas para Islamabad.

Contexto europeu e português

Em Portugal, o recuo do crude é visto como condição necessária, mas não suficiente, para uma descida imediata de preços ao consumidor. A logística de transporte e o refinamento continuam com dificuldades, refletidas na bolsa nacional, onde a Galp Energia registou quedas acima de 8%.

Em termos de custo nos postos, o gasóleo pode chegar a 2,3 euros por litro. A recuperação das infraestruturas na região afetada pode levar anos e custar mais de 21,63 mil milhões de euros, influenciando prazos e custos logísticos. A confiança no Estreito de Ormuz é crucial para o normal funcionamento das cadeias.

A União Europeia e medidas de segurança

A Comissão Europeia já pediu coordenação de medidas para assegurar o aprovisionamento energético, incluindo manutenção de stocks de emergência e poupança voluntária de combustível. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade a choques externos e estabilizar os fornecimentos.

A proposta da ERSE e o gás natural

A ERSE propôs um aumento de 6,3% nas tarifas de gás natural para o mercado regulado, com efeitos a 1 de outubro de 2026. Consumidores domésticos podem enfrentar aumentos entre 0,89 e 1,58 euros mensais. O mercado liberalizado, com 1,13 milhões de clientes, continua mais exposto às oscilações internacionais.

Se o cessar-fogo permanecer estável e o TTF seguir a descer, os comercializadores poderão ajustar ofertas, permitindo ao regulador rever as tarifas reguladas após consulta pública. A produção de GNL do Qatar, entretanto, sofreu uma quebra de cerca de 17% devido a ataques anteriores, o que pode atrasar a disponibilidade de excedentes até 3 a 5 anos.

Gás de botija e propano

O Irão, importante produtor, pode influenciar os preços do GPL caso o acordo se consolide. Com menor risco geopolítico, o preço do barril pode manter a tendência de baixa, afetando o custo de importação pelas gasolineiras nacionais. O impacto depende da solidez do cessar-fogo e da evolução dos fluxos.

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