- Fatih Birol diz que março foi difícil, e que abril será ainda pior, devido à crise energética associada à guerra no Irão.
- A crise poderá acelerar o desenvolvimento de energias renováveis, energia nuclear e veículos elétricos, com algumas tecnologias a avançar rapidamente.
- A energia nuclear deve recuperar impulso, incluindo os reatores modulares de pequena dimensão, e a extensão da vida útil de centrais pode aumentar capacidades.
- A curto prazo, os países devem utilizar a energia de forma prudente, poupando e melhorando a eficiência.
- Birol alerta que o mundo nunca enfrentou uma perturbação de abastecimento tão grande; se o estreito de Ormuz permanecer fechado em abril, poderá haver perda de metade do petróleo bruto e dos produtos refinados, com setenta e cinco infraestruturas energéticas atacadas ou danificadas.
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que a crise energética causada pela guerra no Irão deve acelerar o desenvolvimento de energias renováveis, da energia nuclear e dos veículos eléctricos. A observação foi feita ao jornal francês Le Figaro.
Birol indicou que, embora exista um horizonte de transformação, não vale como solução imediata para a atual crise. A sua leitura aponta para mudanças na arquitetura do sistema energético global nos próximos anos, com avanços tecnológicos a diferentes ritmos.
O chefe da AIE sublinhou ainda que a energia solar e a eólica podem crescer rapidamente, num contexto de procura por fontes mais rápidas de instalação. A crise, para ele, pode também reavivar o impulso pela energia nuclear, incluindo pequenos reatores modulares, e levar países a aumentar capacidades com a extensão da vida útil de centrais.
Cenário energético mundial
Para Birol, a curto prazo, os países devem consumir energia com prudência, poupar e melhorar a eficiência. Alega que o mundo nunca enfrentou uma perturbação de abastecimento de tal magnitude, afirmando que a crise atual supera, somadas, as de 1973, 1979 e 2022.
O diretor da AIE lembra que a guerra tem impactos que vão além do petróleo e gás, afetando fertilizantes, petroquímica, hélio e outros sectores da economia. Ele descreveu um cenário de abril potencialmente difícil para o abastecimento energético mundial.
Perspectivas e impactos regionais
Birol referiu que, se o estreito de Ormuz permanecer fechado durante todo o mês de abril, poderá haver reduções significativas de petróleo bruto e produtos refinados. O responsável indicou terem sido registadas dezenas de ataques e danos a infraestruturas energéticas, com consequências que deverão exigir tempo para reparação.
Entre na conversa da comunidade