- Biruté Galdikas (1946-2026) morreu a 24 de março, aos 79 anos, em Los Angeles, após uma batalha contra cancro do pulmão e fibrose pulmonar.
- Foi uma das Trimates, pioneira no estudo imersivo de orangotangos no Bornéu, começando em 1971 aos 25 anos.
- Descobertas-chave incluem o nascimento de um orangotango selvagem e o uso de ferramentas, além de observar que os orangotangos passam parte do dia no chão e tendem a ser mais solitários.
- Em 1982 convenceu o governo indonésio a criar o parque nacional na reserva de Tanjung Puting; em 1986 fundou a Orangutan Foundation International.
- Ao longo dos anos tornou-se ativista pela conservação; a população de orangotangos em Bornéu caiu para cerca de 100 mil até 2024, mantendo o legado de fundação e investigação.
Biruté Galdikas, investigadora que dedicou a vida aos orangotangos, morreu a 24 de março, aos 79 anos, em Los Angeles. A notícia enquadra-se na linha do tempo de uma carreira de meio século dedicada à conservação.
Nascida em 1946 na Alemanha, filha de pais lituanos, mudou-se para o Canadá aos dois anos. Em 1971 chegou ao Bornéu para estudar orangotangos, tornando-se uma das conhecidas chamadas Trimates, ao lado de Jane Goodall e Dian Fossey.
A descoberta crucial ocorreu quando, na véspera de Natal, avistou um orangotango fêmea com filhote. Passou o dia a observar comportamentos, registando a alimentação, movimentos e interações, lançando as bases do estudo mais longo de um mamífero selvagem realizado por uma única pesquisadora.
A pesquisa de Galdikas revelou que os orangotangos passam grande parte do tempo no chão, preferem a solidão e exibem uma alimentação baseada em frutos, com ocorrências de partilha ocasional. Em 1975 destacou-se na capa da National Geographic, com o trabalho de campo no centro de reabilitação de Camp Leakey.
Carreira e liderança
Ao longo dos anos, a investigadora transformou a pesquisa em ativismo. Em 1982 convenceu o governo indonésio a transformar a reserva de Tanjung Puting num parque nacional. Em 1986 fundou a Orangutan Foundation International para apoiar conservação.
Na década de 1990, o trabalho no terreno tornou-se mais desafiante devido a mudanças políticas e ao escrutínio público. Mesmo assim, manteve-se ativa, viajando e lecionando, com foco na proteção dos orangotangos e do habitat.
O número de orangotangos em Bornéu, estimado em cerca de 100 mil em 2024, diminuiu significativamente desde o início da carreira de Galdikas. A Fundação que criou continua a funcionar, empregando centenas de pessoas nas imediações do acampamento.
Legado e últimos anos
Galdikas faleceu em Los Angeles, sete semanas antes de completar 80 anos, após lutar contra cancro do pulmão e fibrose pulmonar. Autoridades indonésias preparam a repatriação do corpo para o próximo fim de semana, com o enterro previsto ao lado do segundo marido.
Desde o início da sua trajetória, Galdikas demonstrou uma dedicação marcada pela observação persistente, pela conservação da floresta e pela defesa de políticas públicas que protejam os orangotangos e o seu habitat. Fred Galdikas, filho, sublinha a natureza materna associada ao trabalho com os animais e à proteção da espécie.
A trajetória de Biruté Galdikas encabeça um capítulo histórico na primatologia, ao lado de outras pioneiras que abriram o campo para gerações futuras, mantendo o foco na ciência, na responsabilidade ambiental e na proteção dos ecossistemas.
Entre na conversa da comunidade