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Terramação: corpo morto pode tornar-se solo fértil

Terramation transforma corpos em solo fértil, reduz CO₂ em cerca de noventa por cento face à cremação e expande opções funerárias sustentáveis

O profissional da área da morte Kristoffer Hughes e Chris Cooper-Hayes defendem a compostagem humana no Reino Unido
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  • A terramation (compostagem humana) transforma restos mortais em solo rico em nutrientes, reduzindo em cerca de 90% as emissões de CO₂ em comparação com a cremação e sem químicos de embalsamento.
  • O processo devolve moléculas à Terra, alinhando-se com a perspetiva de Kristoffer Hughes, druida que defende transformar a morte em vida.
  • O procedimento demora cerca de trinta dias para a transformação inicial, mais trinta dias adicionais para incorporar os ossos moídos, resultando em aproximadamente 110 quilos de terra seca.
  • A terramation oferece aos familiares cerca de sessenta dias para conviver com o luto, com uma cerimónia de colocação e atualizações sobre o estágio do processo disponíveis pela empresa.
  • Na Europa, a legalização está a avançar lentamente; nos Estados Unidos já é praticada em várias operações, e no Reino Unido há estudos oficiais em curso para possíveis passos regulatórios. O pacote completo da Return Home custa $5.500.

A prática da terramitação, ou compostagem humana, está a ganhar força como alternativa aos métodos funerários tradicionais. Kristoffer Hughes, druida galês, promove este processo que transforma restos mortais em solo rico em nutrientes. A técnica, também conhecida como NOR, já está a nascer em pilotos europeus, após décadas de uso nos EUA.

Hughes é co-fundador da empresa Return Home, unidade de compostagem humana na área metropolitana de Seattle. O objetivo é devolver moléculas do corpo à terra, em vez de as eliminar com cremes e caixões. Associa-se a Chris Cooper-Hayes na promoção do método no Reino Unido.

O que é a terramação

A terramação reduz as emissões de CO2 em cerca de 90% face à cremação e elimina a necessidade de embalsamamento químico. O processo demora cerca de 60 dias, com o corpo a ser circulado dentro de um recipiente fechado.

Durante o ciclo, materiais orgânicos alimentam microrganismos que transformam o corpo em composto. Ossos são moídos e reintegrados ao material final, resultando aproximadamente em 110 quilos de terra seca.

Como funciona na prática

O primeiro estágio ocorre numa câmara de aço onde o corpo permanece envolto por materiais naturais. O odor típico é descrito pelo desenvolvimento de um “cheiro de terra molhada” durante a transformação.

Ao final, a terra resultante fixa carbono e pode servir de adubo para projetos ambientais ou reflorestação. O processo evita o vazamento de químicos para águas subterrâneas.

Benefícios para os familiares

Ao contrário de funerais tradicionais, a terramação oferece cerca de 60 dias para lidar com o luto e acompanhar a transformação. Famílias podem participar em cerimónias de colocação e, mais tarde, distribuir o composto entre amigos, se desejado.

Os custos são factor decisivo para muitos. Nos EUA, um pacote completo pode ficar entre 4 750 e 5 500 dólares, com opções de instalação semelhantes a jardins funerários. Embaixo, o espaço de disposição também tem custos menores.

Europa: caminho incerto e avanços

Ainda não é plenamente legal na Europa. Nos Estados Unidos já é prática em 14 estados; na Alemanha, há um piloto em Schleswig-Holstein com floresta funerária para o composto. No Reino Unido, há um relatório governamental sobre novos métodos que deverá sair na primavera.

No Reino Unido, a aprovação pode depender de regulamentação setorial ou legislação por país. A hidrólise alcalina, outra alternativa, já foi validada na Escócia em 2026, abrindo caminho para mudanças similares no País de Gales.

Perspectivas futuras

Hughes afirma que o interesse entre jovens entre 16 e 35 anos é particularmente significativo, com alguns já a manifestar vontade de optar pela terramação. A ideia é ver o fim da morte como apenas o começo de um ciclo de vida.

A Return Home planeia expandir a disponibilidade da tecnologia, com Miguel Ferreira a coordenar a presença europeia. O objetivo é oferecer um caminho seguro, transparente e respeitoso para quem escolhe este rito de passagem.

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