- A transição energética da Bósnia-Herzegovina está atrasada, com forte dependência do carvão e falta de unidades de dessulfurização, causando poluição atmosférica extrema.
- Em Kakanj, cidade mineira com 440 milhões de toneladas de lenhite, milhares de empregos dependem do carvão, mantendo sete minas estatais endividadas em cerca de cem milhões de euros.
- Centrais a carvão do país emitem mais de 200 mil toneladas de dióxido de enxofre por ano, muito acima dos limites; várias unidades antigas ainda estão em funcionamento.
- A Dessulfurização de uma unidade de Kakanj está prevista para começar no final de 2027, com metas de cumprir limites da União Europeia até 2028; planos para encerrar blocos 5 e 6 em 2027 e 2035, respetivamente.
- A UE alerta que o atraso político pode atrasar a adesão e implicar sanções ou custos elevados para empresas; no futuro haverá substituição progressiva por gás natural, com eventual hidrogénio, visando a neutralidade até 2050.
A transição energética da Bósnia-Herzegovina não avança a ritmo esperado, enquanto o país ainda depende fortemente do carvão. Em Kakanj, cidade industrial, a lenhite sustenta milhares de empregos, apesar da poluição associada. O país tem um vasto depósito de carvão, com cerca de 440 milhões de toneladas, um dos maiores da Europa.
Especialistas locais apontam que a dependência do carvão agrava o aquecimento global e a crise climática, enquanto faltam instalações de dessulfurização para reduzir emissões. A situação coloca em causa o cumprimento de compromissos de neutralidade carbónica até 2050, acordo feito na cimeira dos Balcãs em Sófia.
Poluição e saúde pública
As centrais elétricas a carvão emitem quantidades significativas de dióxido de enxofre e outros poluentes. Dados de agências ambientais indicam emissões superiores aos limites legais, com impactos na qualidade do ar e na saúde pública. Moradores locais descrevem episódios de poluição intensos especialmente no inverno.
A área de Kakanj regista índices elevados de poluição atmosférica e casos de doenças associadas, segundo relatos de residentes. Organizações ambientais destacam que as mortes prematuras na região são superiores às médias europeias ajustadas à população. O município já ordenou o encerramento temporário de unidades poluentes.
Desafios técnicos e económicos
A rede de energia depende de sete minas estatais e de centrais com décadas de funcionamento. Units antigas carecem de filtros modernos, e a vida útil foi excedida. Em 2010, a mudança para gás natural foi considerada, mas considerada não rentável face ao carvão, segundo o gestor da central.
Entre as soluções em estudo, destaca-se a construção de uma unidade de dessulfurização, com início de operação previsto para o final de 2027. A melhoria permitirá reduzir drasticamente as concentrações de enxofre e aproximar-se dos padrões da UE até 2028, conforme explicações oficiais.
Rumos futuros e agenda europeia
O plano de descarbonização prevê desativar blocos mais poluentes entre 2027 e 2035, mantendo parte da atividade até 2045 ou 2050. Paralelamente, é anunciada a construção de uma nova central a gás, com eventual transição para hidrogénio no futuro.
A União Europeia reforça a necessidade de progresso regulatório na Bósnia-Herzegovina. A delegação UE em Sarajevo alerta para riscos de sanções comerciais e custos acrescidos para empresas caso não haja avanços nas políticas climáticas, destacando o peso da adesão à UE para o país. Fontes oficiais citam que o desfecho dependerá da implementação de medidas de descarbonização.
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