- Mais de quarenta países lançaram uma coligação para garantir a livre passagem pelo Estreito de Ormuz, após o fim da guerra entre os EUA, Israel e o Irão.
- O objetivo é assegurar uma abertura segura e sustentada da rota marítima, que é crucial para as exportações de energia, com mobilização de instrumentos diplomáticos e económicos.
- A reunião, organizada virtualmente pela ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, também considerou explorar capacidades de defesa, incluindo desminagem e escolta, quando o conflito terminar.
- Itália, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos defenderam a criação de um corredor humanitário para salvaguardar o transporte de fertilizantes e evitar uma crise alimentar; a União Europeia apoiou os esforços diplomáticos.
- O Bahrein prepara uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas para proteger a navegação no estreito; a reunião não resultou em declaração conjunta.
Mais de 40 países criaram, na quinta-feira, uma coligação para assegurar a passagem livre pelo Estreito de Ormuz, uma rota clave para as exportações de energia. A iniciativa surgiu após o fim de uma guerra envolvendo EUA, Israel e Irão, e pretende garantir uma abertura segura e estável da via.
A iniciativa foi organizada de forma virtual pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper. O objetivo é mobilizar instrumentos diplomáticos e económicos para manter o trânsito através de Ormuz sob condições seguras, com controlo de portagens em Teerão a ser alvo de avaliação.
A coligação envolve membros de várias regiões do mundo, refletindo o impacto global do encerramento da passagem marítima. Além de questões económicas, o grupo tem estado preocupado com a proteção da navegação e com o fornecimento global de fertilizantes e energia.
Contexto diplomático
A reunião contou com a participação de representantes de Itália, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos, que defenderam a criação de um corredor humanitário para salvaguardar o transporte de fertilizantes e evitar crises alimentares. A UE, representada pela Alta Representante, apoiou a busca por uma navegação livre e segura, em alinhamento com o Direito do Mar.
A reunião virtual serviu para avaliar a situação e alinhar posições, sem, porém, divulgar decisões operacionais. Não foi emitida uma declaração conjunta ao fim do encontro.
Perspetivas de segurança e política externa
O Bahrein prepara-se para apresentar no Conselho de Segurança das Nações Unidas um texto sobre proteção da navegação comercial através de Ormuz, que pode abrir caminho a uma intervenção durante o conflito. O documento em discussão prevê que Estados utilizem, se necessário, meios proporcionais para restabelecer o trânsito seguro.
O Estreito de Ormuz recebe, em condições normais, uma parte relevante do petróleo e do gás mundial. A sua geografia, com águas rasas e relevos elevados, facilita estratégias de guerra e coloca em risco navios, seguros e empresas de transporte.
A administração norte-americana não participou na reunião, mantendo a posição de pressão sobre aliados para reforçar a presença naval na região. O debate também envolve temas de cooperação internacional, diplomacia económica e opções de apoio militar ao longo do processo de desescalada.
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