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Yerai Cortés mostra-se feliz numa celebração com flores

Abertura do Tremor Açores com Yerai Cortés, “Guitarra coral”: flamenco que funde tradição e inovação, deixando o público em êxtase e reverência

O flamenco reiventou-se em delicadezas e requinte nos Açores
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  • O 13.º Tremor Açores abriu com o espetáculo “Guitarra coral” de Yerai Cortés, no Coliseu Micaelense, na ilha de São Miguel.
  • O público respondeu com adoração natural, numa sala cheia que vibrou ao novo flamenco proposto por Cortés.
  • O show combina uma guitarra, seis vozes femininas e uma cenografia minimalista, explorando o vínculo entre tradição, identidade e silêncio musical.
  • Surgem quatro fantasmas culturais como referências: Nusrat Fateh Ali Khan, Arvo Pärt, Schubert e Carlos Paredes, usados para dialogar com o flamenco.
  • O duende — a presença quase espiritual que ultrapassa a técnica — dominou o finale, com o público em pé e Cortés a erguer a guitarra.

O espetáculo de abertura do Tremor Açores 13.º aconteceu ontem à noite no Coliseu Micaelense, em São Miguel. O projeto de Yerai Cortés, intitulado Guitarra coral, inaugurou o festival de música e lugares singulares, que até sábado traz mais de 50 artistas a diferentes espaços da ilha. O concerto reuniu público lotado e gerou grande expectativa em torno do flamenco contemporâneo.

A encenação teve lugar numa sala em ferradura de 1917, com iluminação sóbria e cenografia minimalista. Sete intérpretes entraram em cena, entre elas seis vozes femininas e um guitarrista, que marcou o tom com uma presença física marcada. O foco recaiu na guitarra de Cortés, no corpo de baile vocal e no equilíbrio entre tradição e inovação.

O espetáculo propôs uma leitura do flamenco que oscila entre o virtuosismo técnico e momentos de silêncio que se tornam parte da música. O público respondeu com palmas intensas, vai e vem de assobios e aplausos, acompanhando o coro que se tornou protagonista em certos trechos. O tom variou entre alegria coletiva e tom mais íntimo.

Entre as referências mencionadas no espetáculo, Cooperam Nusrat Fateh Ali Khan, Arvo Pärt e Schubert, cujas linhas sonoras parecem emergir nas passagens mais lentas e contidas. O português Carlos Paredes também aparece como presença discreta, sugerida pela cadência de algumas notas descendentes que cortam o ritmo.

Yerai Cortés destacou-se pela sua abordagem única à guitarra flamenca, conduzindo o som com automação quase clínica dos detalhes. O guitarrista parte de referências tradicionais, mas aproxima-se das cordas como se lidasse com cicatrizes, explorando pausas e respirações que ganham protagonismo na música.

O duende, conceito central do flamenco, emergiu como uma experiência coletiva: uma força que transcende técnica e que o público acabou por reconhecer no momento alto do concerto. O final foi marcado por uma explosão de vivas e aplausos, com a plateia em pé e a guitarra ergue-se como um altar.

O Tremor Açores 13.º prossegue até sábado, com mais atuações em São Miguel e outras ilhas. O festival continua a explorar o flamenco em diálogo com outras tradições, refletindo sobre identidade, pertença e linguagem musical de vanguarda.

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