- Um inspector da Polícia Judiciária afirmou que é possível Odair Moniz não ter usado a faca encontrada no local da morte.
- Três perícias à faca não apontaram vestígios de ADN, impressões digitais ou droga.
- O inspetor disse que não é comum uma faca de uso diário ficar sem vestígios biológicos, especialmente após o tempo que decorreu.
- As imagens de videovigilância não mostram Odair com a faca na mão; disse que a faca não foi manuseada com as mãos desprotegidas durante muito tempo.
- O processo também descreve que o agente Bruno Pinto disparou dois tiros em Odair Moniz, e que o comandante da divisão da Amadora considerou adequados os procedimentos perante a ameaça, em contexto de resistência à detenção.
Um inspetor da Polícia Judiciária afirmou, durante o julgamento em curso, que é possível Odair Moniz não ter utilizado a faca encontrada no local da sua morte. A observação surge num caso em que o agente da PSP Bruno Pinto é acusado de homicídio.
O inspetor explicou que foram realizados três exames periciais à faca e, em todos, não foram detetados vestígios de ADN, impressões digitais ou droga. Questionado pelo Ministério Público, admitiu que é improvável não restarem vestígios biológicos em uma ferramenta de uso diário.
Além disso, o perito indicou que, analisando imagens de videovigilância, Odair Moniz não aparece com a faca na mão. Também afirmou que a lâmina não terá sido manuseada sem luvas durante um período prolongado, o que reduziria a probabilidade de vestígios.
O testemunho surge após o agente Bruno Pinto ter declarado ter visto a lâmina na mão de Odair Moniz, provocando a sua resposta de recuo e disparos. O júri já ouviu o condutor da PSP que acompanhava a ocorrência, que confirmou o uso de força por parte dos agentes.
O comandante da divisão policial da Amadora, na altura, foi ouvido e considerou adequados os procedimentos, após Odair Moniz ter feito um movimento do braço para baixo. Alega que o agente terá avaliado a ameaça como real, tendo em conta o contexto.
O Ministério Público questionou ainda como ocorreu a morte do cidadão, ao que o intendente da PSP respondeu que Odair Moniz não cumpriu as ordens da polícia e que o nível de ameaça aumentou. O caso relembra outras ocorrências de violência entre moradores e a Polícia.
Odair Moniz, de 43 anos, residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi baleado a 21 de outubro de 2024, após tentativa de fuga e resistência à detenção, numa infração rodoviária. O tiroteio envolveu dois disparos, com entradas no tórax e na virilha.
Segundo a acusação, o primeiro disparo ocorreu entre 20 e 50 centímetros de distância, e o segundo entre 75 centímetros e um metro. O despacho do Ministério Público não menciona qualquer ameaça com arma branca por parte de Odair Moniz.
O julgamento, que envolve questões de admissibilidade de provas e conduta dos agentes, continua a decorrer. As decisões sobre responsabilidades civis ou criminais cabem ao tribunal, com base nas perícias e depoimentos apresentados.
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