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Orhan Pamuk visita o Museu da Inocência e comenta o segredo das coisas

Orhan Pamuk revela que o Museu da Inocência nasceu da fusão entre romance e objetos, preservando a memória de Istambul para o futuro

Orhan Pamuk, autor galardoado com o Prémio Nobel
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  • Orhan Pamuk falou no Museu da Inocência, em Istambul, sobre o poder dos objetos para trazer memórias e o legado do museu para o futuro.
  • O museu nasceu a partir do romance homónimo (publicado em 2008) e abriu como espaço físico em 2012; a série da Netflix, este ano, expandiu o público.
  • Pamuk explicou a ideia central: um museu onde os objetos convivem com a voz do narrador, contando a história de Kemal e de Füsun.
  • O museu funciona como arquivo da vida urbana de Istambul desde os anos cinquenta, tendo sido adquirido o edifício em 1998 para se transformar no museu.
  • Em termos de visitação, 45% são europeus e ocidentais; a série aumentou o fluxo de turistas turcos; o museu é mantido por bilhetes, sem apoio estatal, com o objetivo de perdurar como memória da burguesia de Istambul.

Orhan Pamuk, Nobel laureado da literatura, abriu as portas do Museu da Inocência em Istambul para uma entrevista exclusiva com a equipa turca da Euronews. O autor explicou a ligação entre o romance, o museu e a memória material das coisas.

No encontro, Pamuk descreveu o museu como uma extensão do romance de 2008. Disse que o espaço nasce da paixão do protagonista Kemal e da sua coleção de objetos para recordar a amada Füsun, antes de o romance se tornar museu em 2012.

A conversa ainda abordou a ideia central: os objetos carregam memórias que voltam à lembrança quando surgem no espaço museológico. Pamuk defende que os museus são arquivos de vida urbana, não apenas de textos.

O museu e a cidade

Pamuk explicou que o museu também funciona como arquivo da Istambul entre os anos 50 e hoje. O espaço, instalado num edifício adquirido em 1998, nasceu antes de o romance ser escrito, como uma síntese entre objeto e voz narrativa.

O escritor descreveu o museu como uma vida urbana ocidentalizada, centrada na burguesia de Istambul. O objetivo é mostrar a relação entre objetos, memórias e a voz do narrador em primeira pessoa que guia os visitantes.

Público e legado

O museu recebe visitantes europeus e ocidentais em grande parte, com o efeito da série na Netflix a aumentar o fluxo. Pamuk admitiu não ter recebido apoio estatal, apoiando-se nos bilhetes, no Nobel e no público internacional.

Ele destacou que, após a série, o museu ganhou maior visibilidade entre turcos e turistas de várias regiões. O autor afirmou que o legado desejado é manter vivo o espaço via visitas e memória partilhada.

Futuro do museu

Pamuk exprimiu o desejo de manter o museu como um testemunho da vida burguesa de Istambul, destacando a função educativa sobre a vida cotidiana da cidade. O museu continuará a ser apresentado como catálogo vivo da obra e da vida retratada.

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