- O Prémio Nobel da Água, conhecido como Stockholm Water Prize, foi atribuído a Kaveh Madani, tornando-o o mais jovem vencedor ao receber o galardão aos 44 anos.
- Madani lidera o Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Ambiente e a Saúde (UNU-INWEH) e já ocupou o cargo de vice‑ministro do Ambiente no Irão.
- O prémio destaca o contributo de Madani ao conceito de “falência hídrica”, uma perspetiva que vê a falha dos recursos hídricos como um estado sistémico, citado num relatório recente da ONU.
- A sua carreira é marcada pelo exílio após ser alvo de críticas do regime iraniano, que o rotulou de “terrorista da água” e o obrigou a demitir‑se em 2018.
- Conhecido por tornar a ciência da água acessível nas redes sociais, Madani defende que a água deve ser um pilar central nas negociações climáticas globais.
O Prémio Stockholm Water Prize foi atribuído a Kaveh Madani, atribui-se à sua trajetória como contributo excecional para a utilização sustentável da água. O galardão é considerado o “Nobel da Água”. Madani tem 44 anos.
O cientista iraniano exilado tornou-se a figura mais jovem a receber o prémio. A sua carreira uniu atuação académica na Europa, regresso ao Irão como vice-ministro do Ambiente e posterior exílio sob acusações do Estado.
Madani é hoje diretor do UNU-INWEH, Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Ambiente e a Saúde. O laboratório de ideias da ONU foca a governança global da água e a cooperação entre países.
Foi reconhecida pela comunidade internacional a sua visão sobre a falência hídrica, termo que substitui a ideia de crise da água por um estado de falha sistémica. Segundo a ONU, o planeta já entra numa era de falência hídrica global.
A mudança de tom ocorre num relatório citado pela ONU, que aponta que várias bacias e aquíferos perderam capacidade de recuperar condições históricas. O conceito visa evidenciar vulnerabilidades de longo prazo.
A vida pública de Madani incluiu críticas à gestão da água no Irão, onde interesses agrícolas e políticas de segurança nacional moldam decisões hídricas. A repressão de 2018 marcou o ponto de viragem.
Atribuída por parte da imprensa alinhada com o Estado, a designação de terrorista da água ficou associada às suas ações de ativismo ambiental. Madani demitiu-se e fugiu do país nesse ano.
Na atualidade, Madani participa em foros internacionais, partilha experiências com governos e incentiva a integração da água como pilar das negociações climáticas. A sua perspetiva centra-se na cooperação e na sustentabilidade.
Com quase um milhão de seguidores, a voz de Madani chegou a milhões através de documentários e campanhas digitais. A abordagem populariza dados hidrológicos complexos para públicos jovens.
A visão que Madani defende coloca a água no centro de debates sobre paz, segurança e desenvolvimento. O prémio reforça o papel de antigos decisores na agenda ambiental global.
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