- A UNCTAD analisa o impacto do fecho do estreito de Ormuz na economia mundial, destacando que África pode perder com a diminuição de fertilizantes importados do Golfo, com Moçambique entre os dez países mais dependentes (cerca de vinte e dois por cento do fertilizante utilizado na agricultura do país passa pela via marítima).
- A Argélia aprovou uma nova lei sobre o colonialismo, que suavizou doze a treze artigos para evitar problemas diplomáticos com a França, mantendo a criminalização da apologia do colonialismo.
- As penas vão de três a cinco anos de prisão e multas entre cem mil e quinhentos mil dinares; reincidência pode levar até dez anos de prisão efetiva.
- O objetivo da lei é preservar a memória da luta pela independência, mantendo a repressão à glorificação do período colonial.
- Em Cabo Verde, a presidente da Biblioteca Nacional, Matilde Santos, comenta os desafios de uma biblioteca nacional com 25 anos, incluindo digitalização, literacia, promoção da leitura e falta de recursos e de técnicos especializados.
Num documento publicado na semana passada, a UNCTAD analisa como o fecho do estreito de Ormuz pode afetar a economia global, com impacto mais significativo em África. O relatório assume que a região depende fortemente de fertilizantes vindo do Golfo, situação que envolve Moçambique, entre os maiores importadores, com cerca de 22% do consumo agrícola a depender de esse canal de navegação.
A Argélia aprovou uma nova lei sobre o colonialismo, que flexibilizou 13 artigos para reduzir tensões com a França, antiga potência colonial. Contudo, manteve a criminalização da apologia do período colonial, para preservar a memória da guerra de independência. A norma prevê prisão de três a cinco anos e multas de 100 mil a 500 mil dinares para quem glorifique o colonialismo, com penas agravadas para reincidência, chegando a até dez anos.
Contexto económico e diplomático
Entre as consequências internacionais, o texto da UNCTAD realça que o estreito é uma rota estratégica para o comércio mundial, e que disrupções podem influenciar preços de combustíveis e fertilizantes. Países com agricultura dependente de insumos importados do Golfo podem enfrentar custos adicionais e atrasos logísticos.
Na segunda parte da edição, entrevista com Matilde Santos, presidente do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde. O debate centra-se nos desafios de uma biblioteca nacional criada há apenas 25 anos. Abordam-se temas como digitalização, literacia, promoção da leitura e carência de recursos humanos qualificados.
Santos descreve ainda as dificuldades de implementação de projetos de modernização, incluindo a integração de acervos digitais, a formação de profissionais e a necessidade de financiamento estável. A poucos anos do bicentenário da independência cabo-verdiana, a instituição procura consolidar o papel da leitura na sociedade.
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