- Em Portugal, apenas 2% da habitação é pública, muito abaixo da média europeia.
- Esta realidade resulta de décadas de aposta estatal no apoio à compra de casa.
- Entre 2011 e 2024 foram criados apenas 1.586 fogos de habitação pública.
- Ana Filipa Gomes, 34 anos, mudou-se para Entrecampos em julho e ouve aviões sobrevoarem a zona.
- O T2 foi atribuído através do Programa Renda Acessível (PRA) da Câmara de Lisboa, num sorteio de setembro de 2024; rendimento anual de Ana around 22 mil euros.
Nos últimos anos, a habitação pública em Portugal tem sido cada vez mais necessária, porém continua a representar uma percentagem muito pequena do parque habitacional. Entre 2011 e 2024, o país criou apenas 1586 fogos públicos, um número que contrasta com a média europeia. A formação de habitação acessível permanece dependente de décadas de investimento estatal no apoio à compra de casa.
No caso concreto de Lisboa, uma residente do Entrecampos viveu o impacto deste regime de forma direta. Ana Filipa Gomes, 34 anos, mudou-se para uma casa nova em julho, após um sorteio de visa pelo Programa Renda Acessível (PRA) da Câmara Municipal de Lisboa. A moradia atribuída foi um T2, confirmada em setembro de 2024, que representa uma resposta a uma busca prolongada por habitação estável.
A jovem, cuja renda anual ronda os 22 mil euros, relata dificuldades na procura de um teto para si e para a filha Maria Clara, de 9 anos. O ruído de aviões a sobrevoarem o bairro de Entrecampos foi um desconforto com que se habituou rapidamente após a mudança, sinalizando também os desafios práticos de viver numa área com intensa atividade aérea.
Fonte oficial
- Câmara Municipal de Lisboa, via PRA, confirma que o acesso à habitação pública tem vindo a depender de sistemas de sorteio e de patamares de renda, permanecendo abaixo da média europeia.
- Dados do período 2011-2024 indicam a redução do parque público de habitação face a outras políticas públicas de apoio à aquisição de casa.
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