- O espaço aéreo do Médio Oriente ficou encerrado devido ao conflito entre Israel e o Irão, causando cancelamentos, reagendamentos e desvios de milhares de voos.
- Os primeiros voos a sair dos Emirados Árabes Unidos para levar passageiros retidos ocorreram a partir de 2 de março, com quase 140 mil pessoas a seguir um voo do Dubai para Mumbai.
- O seguimento de voos baseia‑se na tecnologia ADS‑B, que oferece a localização de aeronaves via transponders, captada por recetores terrestres e, às vezes, por satélites.
- Quando não há dados ADS‑B, MLAT (multilateração) e radar, os sites recorrem a estimativas baseadas no destino para acompanhar os voos.
- O bloqueio de GPS na região pode tornar as trajetórias imprecisas, levando a trajetórias em zigzag ou circulares; o MLAT ajuda a mitigar a interferência e a falsificação de localização (spoofing).
Aos avanços do conflito entre Israel e o Irão provocarem o encerramento do espaço aéreo no Médio Oriente, acompanhadores em tempo real de voos ganharam destaque. Milhares de voos foram cancelados, desviados ou reprogramados desde 28 de fevereiro. O rastreio ganhou força com o fluxo de voos entre os Emirados Árabes Unidos e destinos como Mumbai a partir de 2 de março.
Os dados passaram a ser observados por milhões de utilizadores, que recorrem a plataformas como Flightradar24 e FlightAware para perceber o que está a acontecer com a malha aérea global. O interesse disparou logo com o início das restrições.
Como funciona o seguimento de voos
A tecnologia dominante é o ADS-B, que transmite a localização dos aviões através de transponders. Recetores em terra captam esses sinais e alimentam redes como as do Flightradar24 e FlightAware. O objetivo é mapear rotas com precisão.
A rede do Flightradar24 é a mais extensa, com cerca de 50.000 recetores em todo o mundo. Existem também receptores via satélite, úteis para voos sobre o oceano, onde o sinal terrestre é insuficiente.
Para aeronaves com transponders antigos, entra em jogo a MLAT, que mede o tempo de chegada do sinal a vários recetores. Com quatro pontos de dados, é calculada a posição da aeronave.
Quando nem ADS-B, MLAT nem radar estão disponíveis, os sistemas recorrem a estimativas com base no destino previsto, para manter o seguimento.
Interferência e limitações do rastreio
O bloqueio de GPS é usado por militares para evitar localização exata. Sinais de interferência sobrecarregam o GPS, dificultando a leitura fiel da trajetória. A gestão regional de sinais contribui para trajetórias menos estáveis.
Segundo o Flightradar24, a interferência de GPS aumentou no Médio Oriente desde o início do conflito. Este fenómeno pode provocar trajetórias em zig-zag ou circulares.
Alguns voos também podem sofrer de spoofing de GPS, quando sinais falsos indicam uma posição diferente da real. As plataformas de rastreio utilizam MLAT para mitigar estes problemas.
O MLAT, contudo, requer múltiplos recetores e altitude adequada, o que limita a cobertura em áreas remotas. Em situações de pico, alguns voos podem parecer desaparecer ao aterrar ou descolar.
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