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António Lobo Antunes, caçador de palavras que escrevia para afastar depressão

António Lobo Antunes, Prémio Camões, faleceu aos 83 anos; a obra funde psiquiatria e literatura, explorando guerra colonial, solidão e mortalidade

Foto: Mário Cruz/Lusa
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  • O escritor António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, morreu aos 83 anos numa quinta-feira.
  • Médico psiquiatra de formação, escreveu romances sobre solidão, morte, amor, loucura e guerra colonial, tendo sido mobilizado para Angola em 1970 e regressando em 1973.
  • Publicou dezenas de romances desde 1979, tornando-se um dos autores mais lidos em língua portuguesa e acumulando reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo o Camões em 2007.
  • Ao longo da carreira recebeu múltiplos prémios, em Portugal e no estrangeiro, destacando-se pela relação entre psiquiatria, técnica literária e a temática da guerra colonial.
  • O seu livro mais recente, Crónicas II, chegou às livrarias em outubro do ano passado; afirmou que os livros devem ser lidos pelos leitores, não pela capa.

António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, morreu aos 83 anos, na quinta-feira. Médico psiquiatra de formação, o escritor tornou-se um dos nomes mais lidos da língua portuguesa, conhecido pela expressão “caçador de palavras”. A sua obra aborda temas como solidão, morte, amor e guerra colonial.

Mobilizado para Angola em 1970, regressou em 1973 e a experiência da guerra marcará grande parte da sua produção. Em entrevistas, explicou que a psiquiatria influenciou tanto a temática quanto a técnica literária, conferindo-lhe rigor e uma visão sobre o sofrimento humano.

Publicou o primeiro livro em 1979, com receção crítica ambígua, mas rapidamente consolidou-se como autor de referência. O conjunto de prémios nacionais e internacionais acompanhou o seu percurso, destacando-se o Prémio Camões (2007) e reconhecimentos na França, Alemanha e Espanha.

Legado e reconhecimento

Ao longo de uma carreira com quase três décadas de publicações, Lobo Antunes atingiu notoriedade internacional com edições em diversos países. Entre obras apontadas pela crítica, destacam-se títulos como Memória de Elefante, Os Cus de Judas e Auto dos Danados.

Lobo Antunes manteve, paralelamente, uma prática médica em Lisboa até meados dos anos 80, quando passou a dedicar-se à escrita a tempo inteiro. Sempre escreveu à mão, descrevendo o ato como complexo e, por vezes, esquizofrénico.

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