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António Lobo Antunes, caçador de palavras, escreveu para enfrentar a depressão

António Lobo Antunes, médico psiquiatra e Prémio Camões, morre aos 83, deixando uma obra marcada pela guerra colonial e pela psicoterapia

António Lobo Antunes morre aos 83 anos
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  • António Lobo Antunes, Prémio Camões em 2007, morreu hoje aos 83 anos em Lisboa, definindo-se como “caçador de palavras” e sendo médico psiquiatra.
  • O escritor abordou temas como solidão, morte, amor, loucura e sobretudo a guerra colonial, na qual foi mobilizado em 1970 e regressou de Angola em 1973.
  • Publicou o primeiro livro em 1979, “Memória de Elefante”, e tornou-se um dos autores mais lidos de língua portuguesa, com reconhecimento internacional ao longo de décadas.
  • Ao longo da carreira recebeu múltiplos prémios nacionais e estrangeiros, incluindo o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e o Prémio Camões.
  • O mais recente livro, “Crónicas II”, chegou às livrarias a 24 de outubro do ano passado, com prefácio do psiquiatra Daniel Sampaio.

António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, morreu hoje aos 83 anos. O escritor português, médico psiquiatra de formação, ficou conhecido como um “caçador de palavras” que combateu a depressão através da escrita.

A obra de Lobo Antunes explora solidão, morte, amor e guerra colonial, tema que marcou a sua carreira após a mobilização para Angola em 1970 e o regresso a Portugal em 1973. A psiquiatria esteve presente, de forma técnica, na sua visão de mundo.

Nascido em Lisboa a 1 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1969 e especializou-se em Psiquiatria. Este percurso influenciou o ritmo, a lucidez e o tratamento cuidadoso dos temas na sua ficção.

Carreira e reconhecimento

O primeiro livro, Memória de Elefante (1979), iniciou uma trajetória pautada pela Guerra Colonial, que gerou dividido entusiasmo crítico. Seguiram-se obras como Os Cus de Judas e Conhecimento do Inferno, que consolidaram uma voz inovadora.

Ao longo dos anos, a obra de Lobo Antunes ganhou reconhecimento internacional, incluindo prémios na França, Alemanha, Espanha e Itália. Em 2007 recebeu o Prémio Camões, o maior galardão da literatura em língua portuguesa.

O autor manteve uma prática literária dedicada, escrevendo à mão e tratando cada livro como uma entidade única. A relação com os leitores revelou-se próxima, com eventos, cartas e sessões de autógrafos.

Legado e últimos anos

Ao longo de quase cinco décadas, a produção de quase 30 romances e volumes de crónicas transformou-o numa das vozes centrais da literatura lusófona. O mais recente volume, Crónicas II, saiu em 2024.

A sua influência estendeu-se a nível académico e terapêutico, com estudos sobre a interseção entre literatura, psicoterapia e psicanálise. A comunidade cultural descreve-o como uma referência de rigor e densidade narrativa.

A família, amigos e fãs aguardam futuras comunicações sobre as cerimónias fúnebres. O legado de Lobo Antunes permanece nas suas obras, que continuam a ser estudadas e lidas em dezenas de países.

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