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António Lobo Antunes, caçador de palavras, escreveu para enfrentar a depressão

Morreu aos 83 anos o escritor António Lobo Antunes, Prémio Camões, cuja obra aborda guerra, solidão e depressão

António Lobo Antunes
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  • O escritor António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira aos 83 anos; era Prémio Camões de 2007.
  • Foi médico psiquiatra e mobilizado para a guerra colonial em Angola entre 1970 e 1973, temas que marcaram a sua obra.
  • Autores reconhecidos internacionalmente, recebeu dezenas de prémios, incluindo o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Camões.
  • Nasceu em Lisboa, a 1 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria.
  • O seu percurso literário soma quase três dezenas de romances, crónicas e obras para várias línguas, destacando-se pelo tratamento da guerra, da solidão, da morte e da violência.

António Lobo Antunes, prémio Camões 2007, faleceu aos 83 anos. O médico psiquiatra tornou-se um dos nomes mais marcantes da literatura em língua portuguesa, escrevendo para enfrentar a depressão que, dizia, assombrava as pessoas.

A vida do escritor fundiu medicina, memória da guerra colonial e uma prosa de ritmo intenso. Mobilizado em 1970, seguiu para Angola em 1971, regressando em 1973, temas que moldaram grande parte da sua obra.

Trajetória e reconhecimento

Nascido em Lisboa, em 1942, licenciou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. O seu primeiro romance, Memória de Elefante, saiu em 1979, seguindo-se obras de peso que trouxeram leitura alargada em Portugal e no estrangeiro.

Ao longo de quatro décadas, Lobo Antunes consolidou-se como um dos autores mais lidos da língua, escrevendo quase 30 romances e várias obras de não ficção. O estilo combinou técnica psiquiátrica, solidão e crítica social.

Prémios e presença internacional

Recebeu múltiplos prémios nacionais, incluindo o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, entre outros. No estrangeiro, destacaram-se o Prix France Culture, o Prémio de Melhor Livro Estrangeiro (França) e o reconhecimento em Frankfurt.

O reconhecimento internacional acompanhou o autor por décadas, com edições em Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido, além de mercados no Brasil, EUA e Canadá. Em 2007 recebeu o Prémio Camões, pela obra e pela carreira.

Método criativo e legado literário

Lobo Antunes descreveu-se como um “caçador de palavras”, um processo que envolvia escrita manual, paciência e a ideia de que cada livro tem vida própria. O autor afirmava que o livro existe já no leitor que o acede.

Entre as obras mais reconhecidas estão Fado Alexandrino, Auto dos Danados e Manual dos Inquisidores, além de títulos recentes que reforçam a renovação da linguagem. O conjunto da obra dialoga com a história de Portugal e com a psicologia humana.

Últimos anos e visão sobre a leitura

Em 2024 lançou Crónicas II, com prefácio de Daniel Sampaio, consolidando a produção tardia como parte central do seu legado. Em vida, defendeu que os livros devem centrar-se no leitor, não no autor, e que a leitura revela as insónias que iluminam os textos.

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