- Em 2025, as vendas de medicamentos para obesidade em Portugal chegaram a 572.256 embalagens, quase cinco vezes acima de 2024.
- O crescimento foi impulsionado pela entrada no mercado de Mounjaro e Wegovy, segundo a ANF com base na Health Market Research.
- Os fármacos não são comparticipados e podem custar mais de 300 euros por mês.
- A procura por estes medicamentos tem aumentado desde 2019, passando de 45.787 embalagens nesse ano para 572.256 em 2025.
- No SNS, a cirurgia bariátrica/metabólica também cresceu em 2025, com 4.005 intervenções e 1.811 doentes na lista de espera final.
A venda de medicamentos para obesidade em Portugal atingiu 572.256 embalagens em 2025, um máximo histórico e quase cinco vezes acima de 2024. O aumento ocorre mesmo sem comparticipação e com custos superiores a 300 euros mensais.
Dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF), com base na Health Market Research (HMR), apontam que o crescimento de 2025 deve-se especialmente à entrada de Mounjaro e Wegovy no mercado nacional. A informação foi comunicada à agência Lusa no Dia Mundial da Obesidade.
A procura por fármacos para obesidade tem vindo a subir desde 2019, quando foram vendidas 45.787 embalagens. Em 2020 houve 46.500, em 2021 foram 55.173, em 2022 passaram a 60.259, em 2023 chegaram a 82.513 e em 2024 a 119.588.
Os medicamentos disponíveis em Portugal para o tratamento da obesidade incluem Orlistato, Mysimba, Saxenda, Wegovy e Mounjaro. O Mounjaro tem indicações para diabetes tipo 2 e controlo de peso.
A comparticipação tem sido reivindicada por especialistas e associações de doentes, que defendem a importância destes fármacos no combate à obesidade.
Cirurgia bariátrica e lista de Espera
Outra via de tratamento relevante é a cirurgia bariátrica/metabólica, com aumento de atividade no SNS em 2025. O SNS realizou 4005 cirurgias, mais 312 que 2024 e mais 581 que 2023.
O tempo médio de espera para cirurgia foi de 4,75 meses. Ao final de 2025, estavam 1811 doentes inscritos na lista de espera.
A lei determina que cirurgias de prioridade normal devem ocorrer num prazo máximo de seis meses. Pausa sobre acessibilidade e tempo de espera foi apontada pela SPEDM.
Paula Freitas, presidente da SPEDM, destacou que os centros de tratamento cirúrgico estão a funcionar melhor, mas a procura permanece elevada. Muitos pacientes requerem tratamento farmacológico antes e depois da cirurgia.
A especialista reforçou que a obesidade é uma doença crónica complexa e que várias estratégias são necessárias ao longo da vida. Freitas sublinhou a eficácia dos novos fármacos e a importância de a comparticipação ser estendida.
A discussion sobre custos é encarada como investimento em saúde, com some de que a obesidade afeta sobretudo as camadas mais desfavorecidas, aumentando a luta por acesso equitativo a tratamentos.
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