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Um em cada dez portugueses não realiza tratamentos dentários por falta de dinheiro

Em 2025, dez por cento da população não colmou necessidades dentárias, maioritariamente por falta de dinheiro, evidenciando dificuldades de acesso

Um em cada dez portugueses não faz tratamentos dentários por falta de dinheiro
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  • Em 2024, 9,9% da população com 16 ou mais anos em Portugal tinha necessidades de cuidados dentários não satisfeitas; em 2025 a proporção subiu para 10,2%.
  • A principal razão para não realizar exames e tratamentos dentários foi a falta de disponibilidade financeira, apontada por 76% dos entrevistados.
  • O inquérito indica que 59,6% da população com 16+ consultou um dentista nos últimos 12 meses, aumento face a 2022.
  • Em termos de acesso, houve maior frequência de consultas entre mulheres, jovens, pessoas empregadas e com maior escolaridade; as regiões Norte e Grande Lisboa apresentaram mais consultas.
  • Regiões com menor fluxo de consultas dentárias em 2025 foram Alentejo e Açores, com menor cobertura de médicos de família e dentistas.

Portugal continua a registar uma elevada parcela de utentes com necessidades de cuidados dentários não satisfeitas, com 10,2% em 2025, subindo a partir de 9,9% em 2024. O país ocupa o quinto lugar na União Europeia, acima da média comunitária. A falta de dinheiro é o principal motivo apontado.

O Inquérito às Condições de Vida e Rendimentos (INE) de 2025 revela que 59,6% da população com 16 ou mais anos consultou um dentista nos últimos 12 meses, face a 57,4% em 2022. A diferença está nas possibilidades de realizar exames e tratamentos, não apenas nas consultas.

A principal barreira para exames médicos continua a ser as listas de espera, com 39,6% a indicar este obstáculo. Já para cuidados dentários, 76% mencionou dificuldades financeiras como razão central para não realizar os tratamentos necessários.

Em 2025, 47,2% dos agregados familiares avaliou os encargos com cuidados dentários como pesados, acima dos custos com medicamentos (45,7%) e, principalmente, dos cuidados médicos (39,3%). A percepção de peso financeiro é maior entre famílias em risco de pobreza e idosos.

Carência de cuidados dentários

As assimetrias de acesso também aparecem em termos regionais. Norte e Grande Lisboa concentram a maioria das consultas de dentista em 2025, ambas com 63,3%. Alentejo e Açores registaram os menores valores.

Entre os segmentos da população, jovens, pessoas empregadas com maior escolaridade e residentes na Grande Lisboa são os que mais visitaram o dentista, ao passo que idosos, desempregados e menos escolarizados recorreram menos a estes serviços.

Desigualdades regionais

No que diz respeito a médicos de família, as consultas são mais frequentes entre os grupos etários mais velhos. O INE aponta que, em termos de pobreza, a diferença é menor no acesso geral, mas que o acesso a médicos especialistas é menor para quem vive em risco de pobreza (46%) comparativamente à restante população (54,6%).

À escala regional, as regiões com maiores carências de médicos de família incluem as regiões autónomas, Península de Setúbal, Grande Lisboa e Algarve, com níveis acima de 20%. O Norte apresenta 16,9% sem consulta com médico de família.

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