- No Dia Mundial da Obesidade, é lançado o Manifesto pela Acção Urgente na Obesidade, a exigir uma estratégia nacional para acesso equitativo e respostas estruturadas no Serviço Nacional de Saúde.
- A obesidade é um factor de risco para mais de duzentas complicações de saúde, incluindo treze tipos de cancro, com custos relevantes para o SNS.
- O manifesto defende uma estratégia centrada no doente, que transforme recomendações em ações concretas e combata o estigma associado.
- São apontadas desigualdades de acesso ao tratamento: fármacos caros e não comparticipados; serviços concentrados no litoral e escassez de equipas multidisciplinares no interior.
- A necessidade de consultas nos cuidados de saúde primários para acompanhamento prolongado é sublinhada, com cerca de 2 milhões de portugueses com obesidade e mais de um quarto da população adulta com excesso de peso.
O Dia Mundial da Obesidade assistiu ao lançamento do Manifesto pela Acção Urgente na Obesidade, que alerta para tratamento desigual desta condição em Portugal. A iniciativa pede uma estratégia nacional para assegurar acesso equitativo e respostas estruturadas no Serviço Nacional de Saúde.
Promotores, especialistas e doentes defendem que a obesidade é responsável por mais de 200 complicações de saúde, incluindo 13 tipos de cancro. O manifesto visa transformar recomendações em ações concretas para melhorar o tratamento e reduzir custos para o SNS.
O documento é assinado por várias sociedades médicas e pela Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO). A apresentação ocorreu neste Dia Mundial da Obesidade, com foco em promover mudanças estruturais no sistema de saúde.
O que sustenta o alerta
José Silva Nunes, presidente da SPEO, aponta o impacto financeiro da obesidade para além da esfera clínica. O endocrinologista afirma tratar-se de um problema grave de saúde pública que exige respostas rápidas.
O texto enfatiza que a obesidade não é apenas uma condição individual, mas uma doença de base neurológica. Defende que o acesso a fármacos e tratamentos é desigual, sobretudo entre regiões e camadas sociais.
Desigualdades e acesso aos tratamentos
O manifesto critica a concentração de serviços no litoral, agravando a escassez de equipas multidisciplinares no interior. A semelhança de desigualdades regionais, aponta-se ainda para barreiras financeiras que impedem o uso de fármacos.
Paula Freitas, presidente da SPEDM, reforça a necessidade de consultas de obesidade nos cuidados de saúde primários. Defende acompanhamento prolongado por equipas multidisciplinares ou, na ausência, acesso a planos de tratamento com médico.
Dados sobre o impacto no SNS
Em Portugal, mais de um quarto da população adulta tem excesso de peso. Cerca de dois milhões convivem com obesidade. A doença corresponde a cerca de 10% da despesa em saúde e 3% do PIB, segundo a Direção-Geral da Saúde.
Signatárias do manifesto
Além da SPEO e SPEDM, assinam o documento sociedades de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo; Estudo da Obesidade; Medicina Geral e Familiar; Medicina Interna; Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas. ADEXO também integra o conjunto de signatários.
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