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Falta de dinheiro leva portugueses a adiar exames e tratamentos dentários

Instituto Nacional de Estatística revela que a falta de disponibilidade financeira é a principal razão para não fazer exames dentários, afetando 7,7% da população, com 47,2% a considerar encargos pesados

Dentista
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  • Segundo o INE, a falta de disponibilidade financeira foi o principal motivo para não fazer exames e tratamentos dentários, com 7,7% a apontarem esse motivo específico, e 10,2% não terem conseguido exames dentários.
  • Para exames ou tratamentos médicos, a principal razão foi as listas de espera (1,5%).
  • Em 2025, 47,2% das famílias avaliavam os encargos com cuidados dentários como pesados, acima de 45,7% para medicamentos e 39,3% para cuidados médicos.
  • No conjunto da população, 59,6% teve consulta de dentária nos 12 meses anteriores, versus 79,5% para medicina geral e familiar e 53,3% para outra especialidade.
  • Disparidades: utilização de médico de clínica geral costuma aumentar com a idade, enquanto o uso de cuidados dentários é maior entre os grupos etários mais jovens; o peso dos encargos é maior entre famílias em risco de pobreza e idosos.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou, nesta quarta-feira, que a falta de dinheiro foi o principal motivo para os portugueses não realizarem exames e tratamentos dentários. O relatório resulta de um inquérito sobre condições de vida na área da saúde, realizado no último ano.

Segundo o Inquérito às Condições de Vida na área da Saúde, 3,8% não conseguiu aceder a exames ou tratamentos médicos, contra 10,2% nos cuidados dentários. O valor indica uma diferença significativa entre áreas de saúde.

Para os médicos, a principal razão para não realizar exames ou tratamentos foi a lista de espera (1,5%). No âmbito dentário, a razão predominante foi a falta de disponibilidade financeira (7,7%).

Contexto dos encargos financeiros e uso de serviços

A proporção de agregados familiares que avaliavam os encargos financeiros com cuidados dentários como pesados em 2025 foi de 47,2%, acima dos 45,7% para medicamentos e dos 39,3% para cuidados médicos. O peso financeiro é maior entre famílias em risco de pobreza e idosos.

Em termos gerais, 79,5% da população com 16 ou mais anos teve pelo menos uma consulta de medicina geral e familiar nos 12 meses anteriores, 59,6% uma consulta de medicina dentária e 53,3% outra especialidade. Mulheres apresentaram percentuais superiores aos homens.

O INE fez ainda observar que a procura por consultas de medicina geral aumenta com a idade, o que não ocorre com os cuidados dentários, onde os utilizadores são mais jovens. A monitorização da saúde oral é maior entre quem tem maior escolaridade e população empregada, menor em risco de pobreza.

Relativamente às pessoas, a maior proporção de utilizadores de médico de clínica geral era observada entre os menos escolarizados (83,3%), com 73,9% entre quem tem ensino secundário e 77,9% entre quem tem ensino superior. Já o recurso a médicos especialistas era mais expressivo entre quem tem ensino superior (65,3%).

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