- Um estudo da Universidade de Coimbra mostra que o córtex auditivo de pessoas com surdez congénita também responde a estímulos visuais por desativação neuronal, e não apenas por ativação.
- Os cientistas recorreram à ressonância magnética funcional e a uma técnica de modelação de campos recetivos populacionais para analisar a organização da informação visual no cérebro.
- Em indivíduos surdos desde o nascimento, o córtex auditivo apresenta uma organização visuais retinotópica, indicando que o cérebro utiliza várias estratégias de adaptação à ausência de som.
- A pesquisa pode contribuir para refinar dispositivos de alta tecnologia, como os implantes cocleares.
- O estudo envolveu colaboração internacional (China e Reino Unido) e contou com investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Um estudo realizado na Universidade de Coimbra (UC) revelou dados sobre a reorganização cerebral em pessoas surdas desde o nascimento, com potencial para ajudar a refinar dispositivos de alta tecnologia, incluindo implantes cocleares. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira, em Coimbra.
Os investigadores mostram que o córtex auditivo de pessoas com surdez congénita reage a estímulos visuais não apenas pela ativação, mas também pela desativação neuronal. Em termos simples, a área responsável pela audição também utiliza padrões de redução de atividade para representar informação visual.
A equipa utilizou ressonância magnética funcional para comparar a atividade cerebral de adultos surdos desde o nascimento com a de adultos oculares. Seguiu-se depois uma técnica avançada de modelação de campos recetivos populacionais para analisar como a informação visual se organiza no cérebro.
Segundo Joana Sayal, coautora, a reorganização envolve tanto ativações quanto mecanismos de supressão neuronal. O córtex auditivo revela organização retinotópica na presença de estímulos visuais, investigada nesta pesquisa para entender a plasticidade cerebral de forma mais completa.
A investigação contou com a participação de Jorge Almeida, docente e investigador da FPCEUC e diretor do Proaction Lab, bem como a colaboração de cientistas da China e do Reino Unido. O estudo amplia o conhecimento sobre como o cérebro se adapta à privação sensorial desde muito cedo.
Metodologia
- A equipa recorreu a ressonância magnética funcional para observar respostas visuais em adultos surdos e ouvintes.
- Em seguida, aplicou a modelação de campos recetivos populacionais para caracterizar representações visuais no córtex.
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