- Em 2024, a taxa de risco de pobreza entre crianças é de 17,6%, acima da média da população (15,4%) e longe da meta de 10% da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza.
- A privação material específica das crianças situa-se em 15,1%, acima da média europeia e do valor registado em 2021.
- Entre crianças de famílias com privação material e social severa, mais de 50% não participa regularmente em atividades extracurriculares, e mais de 35% não consegue substituir roupa usada por nova.
- Mais de 30% não participa em viagens escolares não gratuitas; mais de 30% não convida amigos para brincar e comer; mais de 6% não tem espaço adequado para estudar.
- Em 2024, 2,3% das crianças de famílias em risco de pobreza ou exclusão social têm saúde má ou muito má, contra 0,7% nas demais; 21,2% daqueles que viveram pobreza na adolescência estão hoje em risco de pobreza.
A Cáritas Portuguesa afirmou que o combate à pobreza infantil em Portugal tem sido muito insuficiente, segundo o seu mais recente relatório. O documento aponta que o país continua entre os níveis mais baixos de transferências sociais para reduzir o risco de pobreza infantil na UE.
No ano de 2024, a taxa de risco de pobreza entre crianças situou-se em 17,6%, acima da média da população (15,4%) e longe do objetivo de 10% definido pela Estratégia Nacional de Combate à Pobreza. A privação material específica das crianças chegou a 15,1%.
O estudo reforça que a privação está fortemente ligada à situação das famílias. Em famílias com privação material e social severa, mais de 50% das crianças não participa regularmente em atividades extracurriculares, e mais de 35% não consegue substituir roupa usada por nova.
Mais de 30% das crianças em contextos de privação não participam em viagens escolares não gratuitas, e um terço não consegue convidar amigos para brincar e comer. Além disso, mais de 20% não tem espaço adequado para estudar e acima de 6% não celebra ocasiões especiais.
Entre as crianças sem privação severa, as situações de privação material são menos graves ou residuais, sublinha o documento. A Cáritas alerta que a privação condiciona a capacidade de estabelecer laços sociais e a escolaridade plena, com consequências amplas.
Em 2024, 2,3% das crianças de famílias em risco de pobreza relataram saúde má ou muito má, contra 0,7% nas restantes. A publicação também revela que a situação financeira aos 14 anos aumenta a probabilidade de vivência futura em pobreza.
O relatório enfatiza que a pobreza infantil tem impacto na transmissão intergeracional da educação. A Cáritas defende que erradicar a pobreza infantil é urgente e exige consenso social para uma sociedade mais justa, com retorno económico no longo prazo.
A organização sublinha que o investimento na luta contra a pobreza das crianças traz benefícios para toda a sociedade, destacando a sustentabilidade económica e a justiça social como pilares da intervenção pública.
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