- A Cáritas Portuguesa alerta para pobreza e exclusão que não aparecem nas estatísticas oficiais, incluindo sem-abrigo e pessoas em prisões.
- O relatório destaca grupos particularmente vulneráveis, como pessoas com baixos níveis de escolaridade, famílias monoparentais, pessoas com deficiência e famílias imigrantes com crianças.
- As estatísticas oficiais são incompletas porque se baseiam em inquéritos do Censos e não incluem quem vive em alojamentos temporários, reclusos ou comunidades nómadas.
- Em 2024, a região Centro teve o menor rendimento mediano entre as regiões do país; 13,2% dos indivíduos não tinham capacidade financeira para manter a casa aquecida e 25,6% não conseguiam enfrentar uma despesa inesperada de cerca de 700 euros.
- A Cáritas defende que combater a pobreza deve ser eixo prioritário das políticas públicas e da intervenção da sociedade civil, com intervenções mais robustas nos segmentos de maior exclusão.
A Cáritas Portuguesa alertou, nesta quarta-feira, para situações de pobreza e exclusão que escapam às estatísticas oficiais, incluindo sem-abrigo e reclusos, defendendo atenção especial face ao aumento de imigrantes em contexto de exclusão. O alerta surgiu com a divulgação do relatório sobre Pobreza e Exclusão Social.
No documento a que a Lusa teve acesso, a Cáritas sustenta que existem segmentos particularmente vulneráveis, que requerem prioridade de intervenção. Entre os casos apontados estão pessoas com baixos níveis de escolaridade, pouca participação no mercado de trabalho e famílias monoparentais.
A organização social aponta ainda para famílias imigrantes, incluindo crianças, como um grupo com incidência elevada de pobreza. Acresce que as estatísticas oficiais têm como base os inquéritos do Censos e não contemplam os sem-abrigo, reclusos, pessoas em alojamentos temporários ou comunidades nómadas.
Invisibilidade estatística dos imigrantes
A Cáritas enfatiza que os imigrantes tendem a permanecer invisíveis nas estatísticas e que o aumento da exclusão entre este grupo tem merecido especial atenção. A sub-representação dos fluxos migratórios tende a favorecer uma leitura tendenciosa para situações de maior precariedade.
O relatório afirma que as estatísticas oficiais subestimam a verdadeira extensão da pobreza e da exclusão em Portugal, o que desencoraja a leitura de sinais de agravamento. O texto aponta ainda que o desempenho recente dos indicadores oficiais pode induzir a um conforto ilusório.
Para a Cáritas, os mais frágeis são também os mais vulneráveis em situações de calamidade, seja por falta de recursos ou de redes de apoio. O documento dá o exemplo de ocorrências recentes na região Centro do país.
Medidas e prioridades
Em 2024, a região Centro apresentava o menor rendimento mediano entre as regiões, segundo o relatório. Ainda nesse ano, 13,2% dos indivíduos não tinham capacidade financeira para manter a casa aquecida e 25,6% não conseguiam suportar uma despesa inesperada de perto de 700 euros.
A organização destaca que muitas famílias permanecem marcadas pela pobreza e afirma que a persistência destas situações é intolerável numa economia desenvolvida. Combatê-las deve ser um eixo prioritário das políticas públicas e da intervenção da sociedade civil.
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