- Alunos do ensino básico e secundário continuam sem computador atribuído após seis meses de aulas, devido à demora na aquisição de equipamentos.
- Escolas estão a priorizar estudantes que vão realizar provas digitais, incluindo provas de monitorização da aprendizagem e provas finais do 3.º ciclo.
- A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) afirma que o problema não é novo e ocorre em várias escolas, com disputas de responsabilidade entre Ministério da Educação e direções de agrupamentos.
- No âmbito do programa Escola Digital, cada aluno tem direito a um portátil que deve ser devolvido ao final de cada ciclo, recebendo um novo dispositivo no ciclo seguinte; muitas turmas ficam sem equipamento durante o ano.
- A demora decorre de necessidade de verbas, abertura de concursos e trâmites administrativos, com algumas escolas a receber verbas apenas entre outubro e fevereiro.
Há alunos do ensino básico e secundário que permanecem sem computador atribuído, mesmo após seis meses de aulas, devido à demora na aquisição de equipamento. As escolas estão a privilegiar os estudantes que vão realizar provas digitais.
O caso foi denunciado à agência Lusa por um encarregado de educação de um aluno do 5.º ano numa escola em Lisboa. Questionou, em fevereiro, quando seriam disponibilizados os computadores para as turmas daquele ano.
A resposta da escola foi clara: neste momento, a prioridade são os alunos que neste ano letivo vão realizar provas. A instituição também não indicou quando haverá reposição de equipamentos para o 5.º ano.
Segundo a presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Mariana Carvalho, o problema não é novo e estende-se a várias escolas do país. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação aponta para responsabilidade dos agrupamentos, enquanto os diretores afirmam que faltam verbas.
No âmbito do programa Escola Digital, todos os alunos do ensino básico e secundário público têm direito a um portátil, que deve ser devolvido no final de cada ciclo. A meio do ano letivo, muitos continuam sem equipamento atribuído, apenas recebendo um novo portátil no início do ciclo seguinte.
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep) explicou que os computadores avariam com frequência, exigindo aquisições novas. O processo envolve pedir verbas ao Ministério, abrir um concurso público e pode demorar meses.
Filinto Lima, diretor escolar, comentou que, desde o início do ano letivo, as verbas chegaram em outubro e depois entre janeiro e fevereiro. Além dos alunos que iniciam o ciclo e devolvem os portáteis, outros ficam sem equipamento devido a avarias. As escolas estão a priorizar os alunos que vão realizar provas de monitorização da aprendizagem e provas finais do 3.º ciclo, em formato digital.
A representante dos pais afirma concordar com a prioridade, mas questiona a extensão do tempo sem o material. A Lusa contactou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, que não respondeu até ao momento.
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