- A Zero emitiu parecer favorável condicionado ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para a quadruplicação do troço Alverca–Castanheira da Linha do Norte, exigindo garantias ambientais para o Estuário do Tejo e redução do tráfego automóvel.
- O documento sustenta que o aumento de capacidade, de cerca de oito para dezoito comboios por hora e por sentido, pode permitir duplicar serviços suburbanos e integrar regionais e alta velocidade, desde que haja integração tarifária e bons acessos.
- Exige monitorização robusta, mitigação na origem, supervisão ambiental independente e soluções de drenagem e iluminação que protejam os habitats estuarinos.
- Defende que as estações não se tornem parques de automóveis, recomendando menos estacionamento e mais ligações de transporte público, mobilidade partilhada e interfaces rápidas com o transporte urbano.
- O projeto prevê expropriações de 60,4 hectares, com novas estações em Alhandra e Vila Franca de Xira, reformulação da passagem superior de Alhandra e um prazo de construção de cerca de cinco anos e meio.
A associação ambiental Zero emitiu um parecer favorável condicionado à quadruplicação da linha entre Alverca e Castanheira do Ribatejo, na Linha do Norte. A análise assenta na EIA, com exigências ambientais para Estuário do Tejo, resiliência climática e mais comboios, menos automóveis. A consulta pública terminou na sexta-feira.
Zero reconhece o potencial da obra para descarbonizar transportes, mas alerta para a necessidade de transferência modal efetiva e proteção de populações e ecossistemas. A entidade pede monitorização robusta e supervisão independente.
No Estuário do Tejo, a associação diz que não há dano significativo nas zonas protegidas, desde que haja mitigação desde a origem e soluções de drenagem e iluminação que não prejudiquem habitats estuarinos. A monitorização deve ser contínua.
Quanto à capacidade, o aumento previsto para a hora de pico passa de oito para 18 comboios por hora e por sentido. Isto pode duplicar serviços suburbanos e integrar regionais e alta velocidade, com impacto potencial em milhares de passageiros.
A Zero também defende que as estações não se tornem parques de automóveis. Recomenda reduzir estacionamento, reforçar ligações em transporte público, mobilidade partilhada, pedonal e ciclável, e interfaces rápidas com o transporte urbano.
No que toca ao transporte de mercadorias, sustenta que um comboio intermodal pode substituir dezenas de camiões. Contudo, exige uma visão de rede integrada para evitar novos bloqueios no eixo Oriente–Carregado.
O parecer é condicionado, exigindo salvaguardas ecológicas vinculativas, mitigação de ruído e vibração, resiliência climática, estações acessíveis sem indução de automóvel e uma estratégia de rede para mercadorias e passageiros.
O movimento GEOTA afirmou apoiar o projeto, desde que sejam cumpridas medidas de otimização e compensação. O foco permanece na redução de tráfego rodoviário e no aumento da oferta ferroviária.
O troço Alverca–Castanheira do Ribatejo prevê quadruplicação da via, eliminação de quatro passagens de nível e novas desvias. O investimento enquadra-se no Programa Nacional de Investimentos 2030.
Prevê também nova estação em Alhandra com intermodal, e outra em Vila Franca de Xira com interface rodoferroviário e estacionamento. Inclui requalificação de áreas urbanas associadas.
O plano estabelece a reformulação da passagem superior rodoviária de Alhandra, uma passagem pedonal junto ao Jardim do Arroz e manutenção de estruturas existentes. Expropriações abrangem 60,4 hectares, com 19,7 hectares ocupados.
Cerca de 40,7 hectares situam-se em Domínio Público Ferroviário. A construção deverá durar cerca de cinco anos e meio, mantendo duas vias em exploração durante todo o período.
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