- Passaram vinte e cinco anos desde a queda da ponte Hintze Ribeiro e, ainda assim, duas famílias mantêm o hábito de rezar o terço mensalmente junto ao memorial Anjo de Portugal, em Castelo de Paiva.
- Arlindo Lopes, que perdeu três familiares no acidente de dois mil e um, visita o memorial com duas irmãs e traz um ramo de flores para assinalar o aniversário do irmão, que faria sessenta e três anos.
- No local, às margens do rio Douro, estão as fotografias e nomes das cinquenta e nove vítimas que morreram na tragédia; setenta corpos não chegaram a ser resgatados.
- A oração coletiva é dirigida por Rosa Rodrigues, mãe de outra vítima, que mantém o ritual há vinte e cinco anos para honrar o filho que gostava de rezar o terço.
- O acidente ocorreu na noite de quatro de março de dois mil e um, levando ao colapso da ponte; seis engenheiros foram absolvidos em duas instâncias, após investigações e processos judiciais.
O memorial junto à ponte Hintze Ribeiro, em Castelo de Paiva, recebeu mais uma sessão de oração dedicada às vítimas da tragédia de Entre-os-Rios, 25 anos depois. Duas famílias participaram de uma vigília mensal com um ramo de flores, para assinalar o aniversário de um familiar falecido no acidente de 2001. O local fica no monumento que homenageia as 59 pessoas que perderam a vida.
Acompanhados por familiares, os participantes chegam de manhã ao memorial. O grupo permanece na capela junto à base do monumento, onde antes havia dezenas de pessoas. Hoje reúnem-se aproximadamente uma dúzia de familiares para a oração mensal, que dura cerca de 30 minutos.
Arlindo Lopes perdeu três familiares no desastre, incluindo o irmão que faria 63 anos. A irmã e o sobrinho de quatro anos também faleceram no autocarro que caiu ao Douro. A cerimónia é descrita como um momento de memória e de paz para quem não teve corpo recuperado.
Contexto do memorial
O local abriga fotografias e os nomes das 59 vítimas no colapso da ponte. O episódio ocorreu na noite de 4 de março de 2001, entre Entre-os-Rios e Castelo de Paiva. Até hoje não houve recuperação de todos os corpos, o que sustenta os rituais de memória.
Perspetiva das famílias
Rosa Rodrigues, mãe de uma vítima, mantém a prática desde há 25 anos, motivada pela participação do filho na oração do terço. A filha Flávia Pinto acompanha a mãe nas sessões para honrar o irmão e as demais vítimas. A oração coletiva é organizada pela família e realizada por uma das mães da comunidade.
Contexto judicial
A tragédia levou a um processo judicial iniciado anos depois. Em 2006, quatro engenheiros da ex-Junta Autónoma de Estradas e dois de uma empresa projetista foram absolvidos de culpa. O tribunal concluiu que, na altura das inspeções, não existiam normas técnicas que enquadrassem a atuação dos peritos. A decisão foi mantida em recursos.
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