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Demolição anunciada em Alcântara deixa moradores sem dormir

Moradores de prédio expropriado em Alcântara enfrentam despejo para demolição da obra da Linha Vermelha, sem solução de realojamento à vista

Imagem de contexto do artigo Anúncio de demolição deixa moradores de prédio em Alcântara sem dormir
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  • O Metro expropria um prédio de quatro andares em Alcântara, Lisboa, para as obras de expansão da Linha Vermelha, deixando cerca de vinte moradores sem casa.
  • Em fevereiro, o Metro comunicou a indemnização de 110.210 euros e deu 15 dias para responder; no dia 19 de fevereiro o prédio passou à posse da empresa.
  • Os moradores dizem que a indemnização é irrisória e que a maioria tem mais de 50 anos, sem perspetiva de crédito para comprar casa nova.
  • A Câmara Municipal de Lisboa convocou uma reunião e informou que os contratos de arrendamento não estavam em vigor a partir da expropriação, deixando dúvidas sobre a renda durante a mudança.
  • O Metro garantiu que a desocupação ocorrerá apenas com solução efetiva (indemnização ou realojamento) e que não haverá prejuízo nos encargos para quem optar pelo realojamento; após demolir, haverá reconfiguração urbana e criação de uma nova estação perto da Ponte 25 de Abril.

O anúncio da demolição de um prédio na Rua da Cruz, Alcântara, está a impactar moradores que vivem na área desde o nascimento. A exclusão decorre das obras de expansão da Linha Vermelha do metropolitano. Os residentes foram informados de que terão de sair.

O edifício, que era propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, não recebeu obras de manutenção nos últimos 30 anos. A notícia da demolição chegou após uma vistoria realizada pela Metropolitano de Lisboa, iniciando o processo de expropriação.

Em novembro, os moradores receberam uma carta sobre a vistoria. Em 9 de fevereiro, foi apresentada uma indemnização de 110.210 euros, com 15 dias para responder, e a tomada de posse pelo Metro em 19 do mesmo mês. O valor é considerado insuficiente por muitos.

Reação das famílias

Ao tomar posse, o Metro afirmou que a desocupação ocorrerá apenas com solução pré-existente para cada agregado, seja por indemnização ou realojamento. O objetivo é manter o valor dos encargos atualizados. O Metro também destacou disponibilidade para apoio social.

Júlia Batista, 66 anos, residente há décadas, descreve noites mal dormidas desde a notícia. A moradora aponta dificuldades de obtenção de crédito junto de bancos para clientes com idades avançadas. A Junta de Freguesia de Alcântara tem estado próxima dos moradores.

Adelaide António, 55 anos, afirma que não houve resposta da Câmara sobre realojamento. Questiona-se onde as famílias vão morar e que tipo de contrato pretendem com o Metro. O grupo teme assinaturas de contratos de curta duração.

O Metro indicou ainda que, após a demolição, será feito o rearranjo urbano da praça para facilitar a integração entre metro, rodoviário e ferroviário. A futura estação de Alcântara fica junto ao acesso à Ponte 25 de Abril, distante do prédio hoje expropriado.

Situação atual e próximos passos

Os moradores aguardam uma solução estável para realojamento ou indemnização adequada. A Câmara Municipal de Lisboa não apresentou mapa de realojamento durante as reuniões, mantendo o foco no papel do Metro. A posição da autarquia é de suporte às famílias afetadas, sob a responsabilidade da transportadora.

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