- A tragédia da queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, ocorreu a 4 de março de 2001, e resultou em cinquenta e nove vítimas; apenas vinte e três corpos foram recuperados.
- Trinta e seis vítimas não tiveram funeral, o que gera um luto ambíguo, com a pessoa fisicamente ausente mas presente psicologicamente.
- A psicóloga Sandra Torres explica que este tipo de luto pode impedir o ajustamento emocional e a aceitação ao longo dos anos, pela ausência da despedida física.
- O luto pode manifestar-se pela ruminação, procura mental constante, culpa ou raiva, que podem direcionar-se a autoridades e responsabilidades políticas pela manutenção de infraestruturas.
- O apoio social e a diversidade de respostas são cruciais: o luto não é linear, devendo equilibrar momentos de dor com tarefas diárias e reconciliação com a memória da pessoa perdida.
O 4 de março marca 25 anos desde a queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, que provocou 59 vítimas. Apenas 23 corpos foram recuperados, o que prolongou o luto de muitos familiares. A situação gera um luto ambíguo, segundo uma especialista.
Sandra Torres, professora da FPCEUP, explica que o luto ambíguo ocorre quando a pessoa está ausente fisicamente, mas presente psicologicamente. A falta de uma despedida física complica a aceitação e a reorganização emocional.
Para 36 familiares, a impossibilidade de realizar um funeral completo impede uma despedida concreta. Mesmo com reconhecimentos públicos, a despedida física não ocorre, mantendo a ambiguidade ao longo dos anos.
Luto ambíguo e memória
Este tipo de luto pode envolver ruminação, lembranças persistentes e a permanente pergunta carrega o “e se”. A dor pode acompanhar a esperança, gerando emoções como culpa e raiva, que podem ter direção externa ou interna.
A ira pode recair sobre responsabilidades políticas ou administrativas, enquanto a culpa tende a ser internalizada. Estes sentimentos podem dificultar o ajustamento e manter o luto intenso ao longo do tempo.
O peso social também é relevante: o estigma de não seguir em frente pode levar ao isolamento. Emanuelado pela mídia, o processo pode parecer mais exigente para quem vive a perda.
A especialista reforça que o luto é multifacetado e individual. Em algumas pessoas, a lembrança é uma forma de homenagem; para outras, reviver a dor é inevitável. O suporte social é crucial para enfrentar ciclos de dor.
A orientações apontam para o equilíbrio entre manter memórias e assumir novas rotinas. Alterar papéis sociais, lidar com questões práticas e reconstruir identidades são passos importantes no caminho de cada pessoa.
O estudo aponta que o luto não é linear nem previsível, especialmente em casos de perdas violentas. O objetivo é compreender a diversidade de respostas e apoiar quem vivencia a ausência permanente de forma respeitosa.
Fonte: agências, com base em entrevista a uma especialista sobre o tema.
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