- O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada afirma que há falta de médicos nos hospitais privados, com listas de espera tanto para consultas como para cirurgias.
- A APHP sustenta que o SNS está sob grande pressão devido ao aumento da procura por cuidados de saúde, e que o privado já recebe cerca de quatro milhões de pessoas com seguro e mais de um milhão com subsistemas públicos.
- Existem listas de espera substanciais em dermatologia no privado, devido à falta de dermatologistas que queiram trabalhar com seguros ou ADSE; a acusação é de que alguns preços de especialidades não estão ajustados.
- A maioria dos hospitais privados com urgência 24 horas mantém esse serviço apenas onde a procura justifica a disponibilidade; em Lisboa, pelo menos três unidades possuem urgências 24h com todas as especialidades.
- O responsável defende a cooperação entre SNS e privado, afirma que o privado não cresce à custa do público mas complementa-o, e questiona a implementação do SINACC para gerir listas de espera, apontando falhas entre vontade política e capacidade de execução.
A hospitalização privada enfrenta uma pressão acrescida pela maior procura de cuidados em Portugal. Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), reconhece listas de espera no setor privado e critica a diabolização das PPP, argumentando que o privado funciona em complemento ao SNS.
Segundo Gaspar, o SNS tem registado recordes de procura, apesar de mais recursos humanos e financeiros. Em final de 2025, o relatório da Administração Central do Sistema de Saúde assinalou listas de espera cirúrgicas próximas de 300 mil pessoas e mais de um milhão à espera de consulta.
A APHP aponta que existem quatro milhões e 60 mil segurados com seguro de saúde e mais de um milhão e meio com subsistemas públicos. Alega ainda falta de médicos no país e na Europa, destacando défices em dermatologia, psiquiatria, pediatria e anestesiologia no privado.
Para explicar tempos de espera em dermatologia, Gaspar aponta que não chegam a meses, mas reconhece listas substanciais. Critica a insuficiente valorização dos atos médicos e a remuneração em certas especialidades, que pode afastar profissionais.
Sobre transparência, o presidente da APHP admite a divulgação pública dos tempos e das listas de espera do privado, semelhante ao que já existe no setor público. Afirma que muitos hospitais privados já publicam tempos de urgência nos seus sites.
Na avaliação sobre a capacidade de resposta, Gaspar diz que alguns hospitais privados, sobretudo em Lisboa, já asseguram urgências com várias especialidades 24 horas. Reforça que a oferta deve corresponder à procura, sem alimentar custos excessivos.
Parcerias público-privadas e futuro dos serviços
O responsável sustenta que o privado tem contribuído com mais de 11 milhões de consultas de especialidade e que, sem essa atividade, o SNS enfrentaria maior pressão. Afirmou que o crescimento privado não decorre da diminuição de atuação pública, frisando a complementaridade entre os sectores.
Sobre o SNS, defende um reforço de investimento público e reconhece uma relação desigual entre políticas e implementação. Questiona a eficácia de sistemas antigos como o SINACC e aponta para incentivos que não promovem a mobilidade entre público e privado.
No que toca a novas unidades privadas, Gaspar diz que não houve reuniões que demonstrem uma carência de profissionais como obstáculo único. Adverte que a escassez de recursos humanos permanece como prioridade nacional e que médicos, ADSE e seguradoras precisam de direções técnicas claras.
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