- O fadista João Braga recordou a fuga de Portugal para Espanha após o 25 de abril de 1974, vivendo dezassete meses no exílio.
- Em Cascais, a casa dele em Lisboa terá sido invadida por militares e civis, com um mandado de captura do Movimento das Forças Armadas e pertences levados.
- O coronel António Correia de Campos avisou-o a fugir, sugerindo passar por Marrocos ou Espanha e não voltar a ligar aos familiares.
- A primeira travessia da fronteira, em Elvas, falhou devido à presença de homens armados; com ajuda de amigas espanholas, o fadista conseguiu seguir viagem.
- A mulher de Braga estava grávida na altura; o filho Miguel nasceu a 21 de dezembro de 1974, e Braga recorda ter passado o Natal sem conhecer o recém-nascido.
O fadista João Braga recordou, em entrevista à SIC, um período marcado pela perseguição após o 25 de Abril de 1974. O artista revelou ter vivido, em 1974, 17 meses no exílio em Espanha, evitando o retorno a Portugal devido a um mandado de captura.
Tudo começou em Cascais, quando uma vizinha avisou que a residência em Lisboa tinha sido invadida por militares e civis. A casa foi arrombada e os pertences foram apreendidos, num conjunto de ações que o músico descreveu como invasivas e intimidatórias, com a presença de fuzileiros navais.
O episódio levou Braga a procurar proteção fora do país. Um amigo próximo, então coronel António Correia de Campos, aconselhou-o a abandonar Portugal de imediato, sugerindo destinos como Espanha ou Marrocos. A recomendação foi seguida, com a família a deslocar-se para Madrid e o músico a tentar atravessar a fronteira de Elvas.
A primeira tentativa de fuga falhou devido a uma presença armada na fronteira. Contudo, com a ajuda de contactos espanhóis, o plano foi ajustado, permitindo a passagem do músico para território espanhol. A fuga ocorreu numa altura em que a família o acompanhava, incluindo a mulher, grávida na altura.
Durante o exílio, Braga manteve-se afastado de Portugal por 17 meses. O cantor descreveu o impacto emocional da época, revelando que temeu não conseguir regressar e que a ausência de familiares tornou o Natal ainda mais difícil, com o nascimento do filho Miguel no final de 1974.
Contexto e desdobramentos
A entrevista, transmitida este sábado, 28 de fevereiro, no programa Alta Definição, da SIC, oferece uma visão pessoal sobre o clima de instabilidade que se fez sentir no país após o 25 de Abril. O caso ilustra episódios de perseguição a figuras públicas por motivos políticos, na época.
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