- A Casa-Museu João da Silva, em Príncipe Real, Lisboa, foi doada à Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA) pelo artista e pela mulher em testamento, para preservar a obra do escultor.
- O usufruto da casa e do acervo ficou com Gabriela Silva, filha do artista, que morreu com 94 anos, levando a um litígio que correu nos tribunais entre 2003 e 2018, resultado em acordo, mantendo o legado na SNBA.
- Apesar do desfecho judicial, o edifício permaneceu abandonado durante anos, levantando temores de incêndios, pilhagens e interesses imobiliários por parte da vizinhança.
- A SNBA informou que o espólio foi inventariado desde 2024, com 748 desenhos, 585 esculturas, 515 peças de medalhística e 582 fotografias, estando grande parte do acervo já restaurada e acondicionado em caixa-forte na sede da SNBA.
- Enquanto o acervo está protegido, a SNBA pretende reabrir o atelier como Museu João da Silva, mas busca parcerias e apoios para a reabilitação do edifício, mantendo o compromisso de cumprir a vontade testamentária.
A Casa-Museu João da Silva, exemplar raro da arquitetura modernista de estilo Bauhaus, localizada no Príncipe Real, Lisboa, encontra-se há anos abandonada. A casa foi doada, em testamento, pelo escultor e pela mulher dele, Maria do Pilar, à Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA). O usufruto do espaço e do acervo pertencia à filha do artista, Gabriela Silva, que faleceu aos 94 anos, desencadeando um litígio que chegou aos tribunais em 2003 e terminou, em 2018, por acordo entre as partes.
Enquanto a disputa corria, a vizinhança temeu incêndios, pilhagens e desvio do espólio, além de suspeitas sobre interesses imobiliários que pudessem contrariar a vontade do artista. Moradores e a Junta de Freguesia de Santo António disseram que o tema nunca foi discutido de forma pública, e apelaram à SNBA para encontrar uma solução que honrasse o legado.
Inventário e acondicionamento do acervo
A SNBA explicou ao CM que o espólio artístico e o edifício atravessam fases distintas. From 2024, o acervo está detalhadamente inventariado, processo financiado pela SNBA após a resolução dos litígios. O levantamento, realizado pela bolseira de doutoramento Arlinda Fortes, já está publicado, e inclui 748 desenhos, 585 esculturas, 515 peças de medalhística e 582 fotografias, na maioria de João da Silva.
Entre os documentos consta que parte da obra pertence a outros artistas, e que grande parte do espólio já foi restaurada. Mais de quatro anos, o legado está guardado em caixas-fortes com atmosfera controlada, sob monitorização contínua na sede da SNBA, como forma de proteção.
Planos de recuperação e futuro do atelier
Todavia, o problema estrutural do edifício permanece por resolver. A SNBA afirma estar empenhada em cumprir a vontade testamentária através de uma solução de reconstrução do espaço, para reabrir o atelier como Museu João da Silva com um programa museológico digno. Como associação de artistas, a SNBA admite não dispor dos meios necessários para a reabilitação total e, por isso, procura apoios junto de entidades parceiras.
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