- Três homens são julgados no Tribunal Penal de Paris por roubo e manuseamento de cerca de 100 peças de loiça com o monograma do Palácio do Eliseu, avaliadas em 377 370 euros, entre 2023 e 2025.
- Os réus são o ex-tesoureiro da presidência francesa, a companheira dele e uma rececionista do Louvre; Thomas M. reconhece os furtos desde 2023.
- Damien G. é apresentado como intermediário, vendendo peças através da plataforma Vinted e de grupos no Facebook.
- Ghislain M., rececionista do Louvre, admite ter comprado parte das peças, alegando desconhecer o esquema de roubo.
- O Ministério Público pediu penas de até oito meses com Pulseira Eletrónica; o veredito está marcado para 16 de abril.
Três homens estão a ser julgados pelo roubo e manuseamento de cerca de 100 peças de loiça do Palácio do Eliseu, produzidas pela Manufacture de Sèvres. O crime ocorreu entre 2023 e 2025, envolvendo peças com o monograma Eliseu. O caso ficou conhecido após serem encontradas à venda online.
No banco dos réus está Thomas M., antigo tesoureiro da presidência francesa. Damien G., colega dele há cerca de uma década, atua como intermediário na venda. Ghislain M., rececionista do Louvre desde 2023, completa o trio em julgamento.
O julgamento decorre no Tribunal Penal de Paris, na quinta-feira à noite. As peças foram registadas na Internet e surgiram em mãos de um colecionador em Versalhes, conforme a acusação relatou no tribunal.
Enquadramento do caso
A Sèvres informou a venda online de pratos com o monograma Eliseu, o que levou à queixa da Presidência. A investigação apontou Thomas M. como o autor de vários desvios de inventário, com destaque para itens recebidos por ele sozinha.
A fabricante estima o valor total das peças em 377 370 euros, valor contestado pela defesa. A acusação realçou o simbolismo da perda, dada a relação histórica entre o Eliseu e a manufatura.
Thomas M. reconheceu os factos, dizendo que o primeiro roubo ocorreu em 2023. Alega ter adquirido as peças pela sua beleza e exibiu-as na sua casa, movido por gosto pessoal.
Desdobramentos na venda
Segundo o que foi apresentado, o casal iniciou a revenda das peças quando enfrentou dificuldades financeiras. Damien G. é descrito como quem organizava a venda, com operações através de uma conta profissional na Vinted e de grupos de Facebook.
Damien G. admitiu ter recebido e vendido objetos cuja proveniência sabia ser roubada, conforme indicaram os magistrados. Ghislain M. admitiu ter adquirido cerca de 100 peças, alegando desconhecimento da ligação de Thomas M. ao Eliseu.
Ghislain M. declarou que não sabia que as peças eram roubadas, mas reconheceu ter desconfiado de algumas situações mais tarde. Durante a audiência, houve emoção por parte do testemunho, com o depoente a descrever a sua vida como destruída pela história.
Percurso processual
O Ministério Público pediu penas até oito meses de prisão com pulso eletrónico para os casos em que cabem, conforme a gravidade. Para Thomas M., foi solicitada uma pena de dois anos, com 16 meses suspensos, e uma multa de 10.000 euros.
Para Damien G., a acusação requereu dois anos de prisão, 18 meses suspensos e uma multa de 10.000 euros. Ghislain M. enfrentaria dois anos, com 20 meses suspensos, e também uma multa de 10.000 euros.
O veredito está marcado para o próximo dia 16 de abril. As sentenças finais dependem da avaliação do tribunal sobre a prova apresentada até lá.
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