- O Ministério Público tem 26 inquéritos abertos relativos à violação de sanções da União Europeia à Rússia, segundo a Procuradoria-Geral da República.
- Cerca de 25 milhões de euros estão congelados em contas suspeitas de contornar o embargo económico e de branqueamento de capitais, com foco no imobiliário de luxo.
- As autoridades indicam que várias empresas russas contornam as sanções em Portugal, recorrendo a empresários nacionais como representantes formais; o SIS liga esses intermediários ao regime de Vladimir Putin.
- Um empresário russo, que terá vivido em Lisboa, estaria à frente de uma alegada “multinacional de branqueamento de capitais” com operações em vários países europeus até início de 2025, cobrando entre 2% e 3% dos montantes.
- Investimentos imobiliários de luxo em Cascais são associados a figuras próximas do Kremlin; houve buscas em Lisboa em 2022 e bloqueio de uma transferência de 800 mil euros.
As autoridades portuguesas congelaram cerca de 25 milhões de euros em contas suspeitas de contornar sanções impostas pela União Europeia à Rússia, relacionadas com a invasão da Ucrânia. O Ministério Público tem 26 inquéritos abertos sobre violação dessas sanções, segundo fonte da Procuradoria-Geral da República ao Expresso. As investigações envolvem práticas de branqueamento de capitais, sobretudo no setor imobiliário de luxo.
A Polícia Judiciária e o MP confirmaram que várias empresas russas atuam em Portugal contornando as sanções, recorrendo a empresários nacionais como representantes formais. O Serviço de Informações de Segurança aponta ligações diretas ou indiretas ao regime de Vladimir Putin. Cidadãos ucranianos no país também poderão desempenhar papéis semelhantes, com menor associação a interesses russos segundo as autoridades.
Investigação e estruturas envolvidas
Um caso em investigação envolve um empresário russo que viveu em Lisboa por quatro meses e alegadamente liderou uma pretendida “multinacional de branqueamento de capitais” com operações em diversos países europeus até início de 2025. O esquema cobrava entre 2% e 3% sobre os montantes movimentados e mantinha escritórios com cofres de segurança em Espanha, movimentando diariamente até 300 mil euros em numerário.
Imobiliário de luxo e ligações políticas
Entre os dados de investigação estão investimentos imobiliários de luxo em Cascais, alegadamente ligados a Tatyana Golikova, vice-primeira-ministra russa. O marido de Golikova já foi ministro da Energia, e o filho esteve envolvido em empresas portuguesas. Em Lisboa, buscas em 2022 abalaram um ex-vice-presidente de um banco russo, com congelamento de uma transferência de 800 mil euros destinada a Cascais e apreensão de documentos e dinheiro.
O volume de investimento russo no imobiliário português tem-se mantido elevado na última década, com preços médios por metro quadrado acima de outros compradores estrangeiros em 2019, 2023 e 2024. Em 2019, o valor entre russos atingiu valores próximos do dobro do praticado por compradores de outras nacionalidades no segundo semestre daquele ano.
Perspectivas legais e prioridades
A proposta de lei de política criminal para 2025-2027 prevê prioridade a processos por violação de sanções internacionais, alinhando-os à seriedade de atos terroristas. O objetivo é impedir que Portugal seja utilizado para contornar restrições internacionais e assegurar o cumprimento das obrigações do país no âmbito internacional.
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