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País não podia evitar tempestades, deve usar o território, afirma investigadora

Investigadora diz que não se podia evitar tempestades, mas pode-se minimizar impactos com ocupação do território mais inteligente, cidades esponja e bacias de retenção

FOTO: CARLOS BARROSO/LUSA
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  • A investigadora Maria José Roxo diz que Portugal não podia evitar as tempestades, mas pode minimizar os seus impactos com uma ocupação do território mais eficiente.
  • As depressões Kristin, Leonardo e Marta, desde 28 de janeiro, provocaram pelo menos 18 mortos, centenas de feridos e desalojados, especialmente no Centro, em Lisboa e Vale do Tejo e no Alentejo.
  • O aquecimento global torna as tempestades mais intensas, devido à variabilidade climática de Portugal, segundo Roxo.
  • Propõe cidades-esponja: mais áreas verdes, bacias de retenção e menos impermeabilização para absorver água e mitigar cheias.
  • Defende planeamento integrado que inclua solos, cobertos vegetais e água; a legislação atual é adequada, mas é preciso cumprir-a com menos burocracia.

Uma especialista em catástrofes e riscos ambientales afirma que o país não tinha como evitar as recentes tempestades, mas podia reduzir os seus impactos com uma gestão diferente do território. Maria José Roxo, docente da NOVA University Lisbon e investigadora do CICS, sustenta que o aquecimento global já é uma realidade que se traduz em fenómenos mais intensos.

As declarações foram feitas à agência Lusa, em meio à análise aos efeitos das depressões Kristin, Leonardo e Marta. No período desde a madrugada de 28 de janeiro, Portugal registou várias ocorrências que provocaram pelo menos 18 mortos, centenas de feridos e desalojados, afectando principalmente as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo, e Alentejo.

Enquadramento climático e uso do território

Roxo sublinha a variabilidade climática de Portugal, marcada por influências mediterrânicas e atlânticas, intensificada pelo aquecimento global. Embora não tenha havido forma de evitar as tempestades, é possível mitigar os impactos com uma ocupação do território mais cuidadosa, especialmente na gestão de recursos naturais, cursos de água urbanos e impermeabilização do solo.

A especialista aponta que o planeamento urbano tem de evoluir para cidades mais absorventes de água. Exemplos locais, como o parque urbano junto ao Sado e a bacia de retenção de Setúbal, mostram que estruturas de retenção podem amortecer cheias. Ainda assim, muitas áreas urbanas continuam com pouca permeabilidade e com árvores pouco desenvolvidas, o que dificulta a sua sobrevivência.

Medidas e reformas estruturais

Para o futuro, Roxo defende uma integração entre solo, água e vegetação no planeamento. O objetivo é evitar a construção em leitos de água, arribas e zonas declivosas, bem como reforçar a conservação do solo e a gestão das áreas verdes urbanas.

A investigadora sugere também ampliar as práticas de conservação de linhas de água, reflorestação de zonas ardidas e melhoria de infraestruturas hídricas, com menos entraves burocráticos. Embora reconheça que há legislação adequada, enfatiza a necessidade de cumprir as normas para reduzir riscos.

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