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Metabolismo urbano aponta caminhos para as cidades do futuro

Conferência em Lisboa defende governação baseada em dados para cidades portuguesas mais inclusivas, resilientes e conectadas, com foco em mobilidade, habitação e energia

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  • A conferência “Urbe: que caminhos para Portugal?”, realizada a 12 de fevereiro no Centro Cultural de Belém, discutiu cidades portuguesas mais inclusivas, sustentáveis e inovadoras, com foco em mobilidade, habitação e energia.
  • As Nações Unidas estimam que 68% da população mundial viverá em áreas urbanas até 2050, e Portugal encara desafios de fragmentação territorial, habitação e vulnerabilidade climática.
  • Na mobilidade, destacou-se a integração digital e sistemas invisíveis que facilitam a vida urbana, a expansão de veículos elétricos e a ideia de transporte a pedido para melhorar acessibilidade.
  • O conceito da cidade dos 15 minutos foi exemplificado por Alverca, com serviços essenciais a 15 minutos a pé ou de bicicleta, regeneração de zonas industriais em áreas habitacionais e criação de percursos pedonais e cicláveis.
  • Em energia e clima, defenderam-se modelos de prosumers (produtores/consumidores locais) e participação cidadã; Guimarães foi apresentado como referência de adaptação climática e cidade verde europeia em 2026, com soluções de infraestruturas verdes e gestão integrada.

Metabolismo Urbano: caminhos para as cidades do futuro foi o tema central de uma conferência realizada no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no dia 12 de Fevereiro. O encontro discutiu como mobilidade, habitação e energia podem tornar os centros urbanos mais resilientes a fenómenos extremos.

Scientistas, gestores públicos e especialistas apresentaram abordagens para urbanismo com visão de longo prazo. O objetivo é orientar políticas públicas com base em dados, potenciando governação antecipatória para enfrentar desafios atuais e futuros. A ideia é tratar o planeamento como investimento, não custo.

Mobilidade e acessibilidade

A integração digital na mobilidade foi destacada como fator central para a experiência urbana. A ideia é facilitar percursos simples e centrados no cidadão, com sistemas que se tornem invisíveis ao utilizador, mas presentes na prática diária.

A evolução do ecossistema automóvel e energético foi igualmente abordada, com referência à expansão de veículos eléctricos cada vez mais integrados na rotina digital. A coordenação entre mobilidade, energia e tecnologia abre novas possibilidades para cidades mais eficientes.

O papel da mobilidade como instrumento de melhoria da qualidade de vida foi colocado como prioridade, defendendo modelos de transporte a pedido que assegurem acesso mais igualitário e menos dependente de horários fixos.

A acessibilidade urbana foi apresentada como o principal bem das cidades, com referência aos níveis de habitação pública em Portugal. O debate destacou a necessidade de políticas que integrem uso do solo, transporte e densidade para reduzir desigualdades.

Cidade dos 15 minutos

O conceito de cidade dos 15 minutos foi ilustrado com o caso de Alverca, em Vila Franca de Xira, onde serviços essenciais seriam acessíveis a pé ou de bicicleta em pouco tempo. A ideia passa por regeneração urbana e bairros mais humanos, com ligações pedonais e reconversões de áreas industriais.

A transformação exige continuidade política e envolvimento comunitário, envolvendo mobilidade, habitação, serviços e espaço público para tornar as áreas mais próximas e funcionais.

Energia e clima

No capítulo da energia, especialistas defenderam uma mudança de paradigma para cidadãos que gerem e partilhem energia localmente, com autoconsumo coletivo e projetos-piloto que promovam autonomia energética.

A participação cidadã foi destacada como fator essencial, com a necessidade de simplificar procedimentos para facilitar a criação de comunidades de energia em diferentes bairros e territórios.

Novos metabolismos urbanos

Guimarães destacou-se como referência de adaptação climática, com planos de 2016 e o título de Capital Verde Europeia 2026. Iniciativas incluem redes de drenagem sustentável, infraestruturas verdes e comunidades de energia para reduzir riscos de fenómenos extremos.

Um painel contou com a presença de especialistas que discutiram a articulação entre inovação e território, incluindo soluções como fachadas verdes equipadas com sensores para medir impactos ambientais e apoiar o planeamento urbano.

Cultura e identidade

A importância da identidade local foi sublinhada, com alertas sobre os riscos de padronização das cidades. O debate enfatizou o papel do tecido cultural regional e a necessidade de manter a influência de cada região sem perder a sua essência.

A conferência encerrou destacando que mobilidade, habitação, energia, cultura e adaptação climática exigem uma governação integrada e baseada em dados, com participação comunitária e visão de longo prazo para tornar as cidades mais humanas e resilientes.

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