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Leiria acusa Governo de pressionar câmaras para reconstruir casas sem condições

Autarca de Leiria critica Governo por atirar autarquias para vistorias de candidaturas de reconstrução de habitações sem consulta, gerando atrasos e burocracia

FOTO: Paulo Cunha/Lusa_EPA
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  • O presidente da Câmara de Leiria acusa o Governo de ter atirado as autarquias para a linha da frente das vistorias de candidaturas à reconstrução, sem consulta prévia.
  • Alegações centrais: pedidos surgiram rapidamente por necessidade de dinheiro, mas o município não consegue analisar com a velocidade exigida pelo Governo.
  • O Governo prevê apoiar despesas até cinco mil euros com fotografias sem vistoria e até quinze dias úteis para as restantes, prazo que Gonçalo Lopes diz ser impossível sem negociação com autarquias.
  • Leiria abrange cerca de 30% dos seis mil pedidos da região, e a Câmara tem apenas dez técnicos de Urbanismo; há tentativas de envolver engenheiros e peritos voluntários, inclusive de ensino superior.
  • O autarca afirma que o processo ficou “imposto” e defende medidas para evitar abusos, indicando que a reconstrução deve ser feita com condições claras e justas.

O presidente da Câmara de Leiria acusou o Governo de ter atirado as autarquias para a linha da frente na gestão das candidaturas à reconstrução de habitações danificadas pela depressão Kristin. A crítica surge um mês depois do temporal ter afetado o concelho, sem que tenha havido consulta prévia às autarquias.

Gonçalo Lopes afirma que as candidaturas foram apresentadas em ritmo acelerado, com promessas de análise rápida que não correspondem à capacidade local. O município contesta a cobrança de prazos que, na prática, não são viáveis com os recursos disponíveis.

Segundo o autarca, o Governo anunciou prazos que dependem de negociações com as autarquias, o que não ocorreu. As regras previstas destacam apoio financeiro com decisão em até três dias úteis para danos até cinco mil euros, e até 15 dias úteis para o restante, mediante documentação com fotografias.

Contexto das candidaturas e dificuldades locais

Lopes aponta ainda alterações constantes dos formulários de submissão e exige que se simplifiquem os pedidos, sob pena de sobrecarga para as câmaras municipais. O município de Leiria responde por cerca de 30% das candidaturas da região, numa zona que envolve cerca de 6 mil pedidos, e conta com 10 técnicos no Urbanismo.

Para enfrentar a sobrecarga, a Câmara tem solicitado apoio externo, incluindo peritos e empresas de perícia, sem sucesso devido a compromissos com seguros. A autarquia tem ainda buscado parcerias com institutos de ensino para alargar o envolvimento de engenheiros e arquitetos.

O objéctivo é acelerar a análise dos pedidos sem comprometer a transparência. Leiria propõe acolher pessoas de outras câmaras por períodos curtos, oferecendo alojamento e alimentação aos técnicos, para viabilizar as perícias. A autarquia também pretende mobilizar o ensino superior para apoiar a equipa de peritagem.

O presidente da Câmara ressalta que não houve negociação formal do processo, e que existem riscos de incompatibilidades entre técnicos e autarcas na validação de apoios. Em caso de falhas, avisa que as consequências poderão afetar as candidaturas futuras.

Gonçalo Lopes afirma manter o foco em decisões justas e na adequada gestão dos recursos, sem emitir julgamentos precipitados sobre o Governo. O autarca pretende que as administrações locais recebam condições que facilitem a governação eficaz no país.

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