- Mandakí, em apresentação no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, a partir desta sexta-feira e até domingo, é uma performance musical em formato de suave transe de Larie.
- A peça utiliza o corpo, a voz e o espaço para criar um percurso de pacificação musical e poética, com sons pensados tridimensionalmente em prática de instalações.
- A performance aborda a identidade de género de Larie, incluindo o processo de transição e o uso de samples acionados por dispositivos no peito.
- O conceito de “bicho-do-mato” remete às origens em Franca, interior de São Paulo, à língua cantada na oralidade e à personalidade introspectiva da artista.
- A obra marca uma despedida da voz aguda de Larie, associada à terapia hormonal, explorando uma nova direção vocal e artística.
No Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, a artista Larie apresenta Mandakí, uma performance musical descrente de transe suave. O espectáculo, em cena de sexta-feira a domingo, transforma a sala num espaço de pacificação pessoal através de corpo, voz e som.
Mandakí propõe um encontro entre memória musical e experiência íntima. Larie parte de um gesto corporal simples — pés e mãos que marcam o piso — para reconhecer o espaço antes de se erguer e ocupar o lugar com uma prática sonora que se desalinha do impulso cénico tradicional.
A produção insere-se num conceito de “bicho-do-mato”, ligado à origem da artista em Franca, no interior de São Paulo, e à ideia de retorno de uma língua cantada pela oralidade. A peça recorre a interjeições e memórias da fala para construir uma paisagem sonora singular.
O caminho artístico de Larie
Ao longo do espectáculo, o corpo funciona como detonador de sonoridades em três dimensões, espelhando uma composição pensada para instalações. A experiência é descrita como um transe quase etéreo, capaz de convocar uma pacificação musical.
A obra também aborda a identidade de género em transição. A partir de dispositivos no peito, Larie emite samples que sinalizam a mudança corporal, evidenciando o percurso pessoal sem encerrar o tema.
Antes conhecida sob o nome Labaq, a artista tem uma trajetória marcada por álbuns e colaborações diversas. A passagem para o nome atual inclui uma exploração da voz aguda que, conforme o processo terapêutico, se desloca para novos timbres.
Mandakí aparece como uma celebração da introspecção e da identidade marginalizada, conectando o Brasil de origem ao presente em Portugal. A proposta é dialogar com identidades rejeitadas, sem exortar ou justificar, apenas apresentar o percurso artístico.
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