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Greenpeace Portugal pede moratória urgente à expansão do olival superintensivo

Greenpeace Portugal exige moratória à expansão do olival superintensivo em Alqueva, alertando para a transferência de riqueza para fundos internacionais e impacto nas comunidades locais

Olival intensivo na zona do Alqueva
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  • Greenpeace Portugal exige moratória imediata à expansão do olival superintensivo em Portugal, argumentando impactos no território e na soberania alimentar.
  • Relatório “O Campo como Activo” (Datavisa para Greenpeace Espanha) sustenta que o modelo de olival em Portugal é quase exclusivamente superintensivo, em contraste com a tradição espanhola.
  • Regadio de Alqueva ocupa área significativa; o Alqueva está sob gestão da EDIA, com cerca de cento e trinta mil hectares de regadio, e o olival cobria perto de setenta e quatro mil hectares entre 2023 e 2024.
  • Grandes fundos de investimento internacionais e entidades como Cibus Capital, Farmland Reserves (Igreja Mórmon) e PSP Investimentos passaram a ter presença relevante na região, influenciando a posse de terras, água e produção.
  • Governo é apelado a agir para impedir a apropriação de terras e do recurso água pelos fundos, com foco na PAC e na proteção do território nacional.

O Greenpeace Portugal denuncia que a realidade atual da olivicultura em Portugal está dominada pelo modelo superintensivo, em contraste com a Espanha. O relatório internacional, elaborado pela Datavisa para a Greenpeace Espanha, acusa Portugal de ouvir pouco o olival tradicional. O documento intitulado O Campo como Activo analisa a transformação ocorrida desde os anos 80, após a integração na CEE.

O estudo aponta que o regadio de Alqueva tornou-se fator central para o aumento de investimentos, atraindo investidores nacionais e estrangeiros. Em 1998, foi mantido um apoio para 30 mil hectares de olival a plantar até 2006, coincidindo com a expansão do projeto de regadio. A região viu uma pressão de terra e água para grandes plantações.

O relatório destaca ainda que a massificação do olival se reflecte numa transição tecnológica e de gestão, com densidades elevadas e colheita mecanizada. A área de regadio de Alqueva ocupa cerca de 130 mil hectares, com o olival a cobrir mais de 74 mil hectares entre 2023 e 2024, reduzindo o espaço para outras culturas.

Grandes fundos de investimento

Segundo o estudo, o setor olivícola ibérico recebeu investimentos records, com fluxos entre 2021 e 2024 a somar vários milhares de milhões de euros. Grandes operadores e fundos internacionais passaram a controlar boa parte da cadeia de valor, desde terras até à distribuição. Entre os players citados estão fundos com operações na Europa e na América do Norte.

A Greenpeace identifica a Cibus Capital, com sede em Londres, como investidor relevante no setor agroalimentar, e o Farmland Reserves, fundo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que em Portugal adquiriu a Herdade de Zambujeira. O relatório também aponta o papel de outros fundos e de planos de pensões canadianos na gestão de áreas de olival e de regadio.

O documento indica que fundos de pensões e investidores institucionais passaram a coordenar áreas extensas de terra, viveiros, plantações, lagares e engarrafamento. A tendência é de consolidação da produção, com impactos visíveis no meio rural e nas comunidades locais.

Governo e políticas públicas

A Greenpeace Portugal solicita uma moratória imediata à expansão do olival superintensivo. O grupo afirma que o Governo deve escolher entre facilitar fundos de investimento ou salvaguardar o território e a soberania alimentar nacional. O documento defende legislação para impedir a apropriação de terras, o controlo da água e subsídios da PAC por parte de investidores.

Desde a pandemia, a venda de terrenos agrícolas cresceu e os preços atingiram valores históricos. A organização pretende manter o debate público centrado em dados e na necessidade de políticas que protejam as comunidades rurais e a sustentabilidade do território.

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