- A Associação de Farmácias de Portugal afirmou que os dados sobre equidade no acesso ao medicamento revelam fragilidades preocupantes no acesso efetivo à saúde e exigem resposta estrutural urgente.
- O Índex da Equidade de Acesso ao Medicamento, da EQUALMED, indica desigualdades significativas no acesso a cuidados, refletindo limitações na organização da rede e na intervenção precoce.
- As farmácias comunitárias são apontadas como agente determinante para reforçar o acesso, a deteção precoce e a resposta atempada às necessidades da população, devido à capilaridade e proximidade.
- O estudo aponta que cerca de um terço dos medicamentos autorizados não chegaram ao mercado, evidenciando dificuldades de mobilidade, acesso e financiamento, bem como a necessidade de uma rede de cuidados mais articulada.
- Entre 2022 e 2025, o nível de equidade de acesso ao medicamento foi de 52%, com Portugal a gastar 148,3 euros por ano por pessoa em medicamentos, valor superior ao de França e a um salário médio de 20.451 euros.
A Associação de Farmácias de Portugal (AFP) afirma que os dados do Índex da Equidade de Acesso ao Medicamento expõem fragilidades no acesso efetivo à saúde em Portugal. A primeira edição do índice, divulgado esta semana pela EQUALMED, aponta desigualdades no acesso a cuidados.
Segundo a AFP, os indicadores mostram impacto na mortalidade tratável e nos anos de vida saudáveis, refletindo limitações na organização da rede e na intervenção precoce. O sistema mantém-se demasiado centrado na resposta à doença.
A AFP destaca o papel determinante das farmácias comunitárias. Com presença em todo o território, contactam com milhões de pessoas e podem reforçar o acesso, a deteção precoce e a resposta atempada às necessidades da população.
Desafios de acesso e papel das farmácias
A associação sublinha que Portugal continua a investir pouco na prevenção e na literacia em saúde. A identificação precoce de doenças, sobretudo em crianças e grupos vulneráveis, é vista como determinante para evitar agravamentos clínicos.
O estudo aponta dificuldades de mobilidade em territórios envelhecidos e de baixa densidade, bem como constrangimentos de acesso persistentes no setor público e privado. O resultado é uma rede de cuidados menos articulada.
O Índex revela que quase um terço dos medicamentos autorizados não chegou ao mercado, limitando o acesso dos doentes. Por outro lado, Portugal destaca-se no uso de genéricos e biossimilares e na rapidez de financiamento destes fármacos.
1. O estudo estima 1.577 mortes anuais evitáveis com maior equidade no acesso aos fármacos.
2. Um aumento de 5% na equidade poderia reduzir 3% da mortalidade tratável por ano, segundo a EQUALMED.
Dados comparativos e custos
Entre 2022 e 2025, o nível de equidade de acesso ao medicamento em Portugal foi de 52%, abaixo de Espanha, Itália, França e Bélgica. economicamente, Portugal tem o maior peso da despesa com medicamentos no rendimento médio. Cada cidadão gasta, em média, 148,3 euros por ano, enquanto o salário médio anual é de 20.451 euros.
Em França, país com menor despesa média por medicamento, o valor é de 72,7 euros, com salário médio de 44.904 euros. O estudo reforça que o equilíbrio entre custo, acesso e qualidade permanece como desafio central para o sistema de saúde.
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