- Estudo com mais de 38 mil alunos e 6 mil docentes avalia o impacto do diploma de Autonomia e Flexibilidade Curricular de 2018, apontando mudanças positivas nas práticas pedagógicas e na avaliação.
- Alunos dizem estar mais motivados e a aprender melhor, com maior autonomia das escolas para gerir os currículos; cerca de metade afirma que as notas finais já não dependem exclusivamente de testes.
- Mudanças permitiram às escolas definir parte do tempo semanal, organizar disciplinas por trimestres/temas e partilhar horários entre áreas, com foco na transdisciplinaridade.
- Dificuldades persistem na articulação entre práticas inovadoras de avaliação e mecanismos formais de certificação, especialmente no ensino secundário por causa dos exames nacionais; os alunos desejam mais participação nas decisões pedagógicas.
- Há grande heterogeneidade entre escolas; surgem estruturas inovadoras como oficinas e tutorias, mas a participação de pais permanece muito reduzida.
O estudo, apresentado no Teatro Thalia, em Lisboa, analisa o impacto do diploma de Autonomia e Flexibilidade Curricular (AFC) publicado em 2018. A equipa de investigadores avaliou respostas de mais de 38 mil estudantes. Os resultados indicam aumento da motivação e da percepção de aprendizagem.
Segundo os dados, as escolas ganharam margem para adaptar o currículo às suas realidades. Metade dos alunos disse que as notas já não dependem exclusivamente de testes, recorrendo a portfólios e outros hábitos de avaliação. A organização do tempo também ganhou destaque.
A maioria dos alunos afirma conseguir gerir o próprio trabalho e melhorar o trabalho em grupo. Contudo, a implementação não é uniforme: há resistência, sobretudo no ensino secundário, devido aos exames nacionais que limitam a flexibilização.
Impacto na prática educativa
O diploma permitiu que parte do tempo semanal fosse definido pelas escolas, com matérias ajustadas aos contextos locais. A transdisciplinaridade ganhou corpo, assim como a organização por trimestres e a partilha de horários entre disciplinas.
Entrevistados destacam estruturas inovadoras, como oficinas, tutorias e espaços de turma. Ainda assim, a participação dos alunos em decisões pedagógicas permanece desiguálar, com cerca de 20% a afirmar ter sido auscultado pouco ou nada.
Perspectivas e obstáculos
O estudo ressalva grande heterogeneidade entre escolas, ciclos e áreas disciplinares. Pais e encarregados mantêm participação reduzida, apesar de sinais de evolução. Principais entraves: sobrecarga horária, recursos humanos limitados e necessidade de formação.
Os docentes dividem-se em quatro perfis: adeptos, pragmáticos, forçados e cépticos. O ceticismo predomina entre profissionais que trabalham de forma mais isolada, evidenciando resistência à cultura de colaboração.
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