- Coimbra registou recorde histórico de precipitação entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, com 1.238 milímetros, segundo o IPMA.
- A chuva fez encher a barragem de Aguieira 3,5 vezes e a barragem das Fronhas sete vezes.
- O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) assinou um protocolo com a Ordem dos Engenheiros para apresentar um relatório técnico sobre as cheias de 2026 na Bacia do Mondego e rever os modelos de gestão do risco.
- A APA destacou que incêndios, a neve na Serra da Estrela e o degelo influenciaram o caudal, defendendo a atualização do projeto hidráulico para torná-lo mais resiliente às alterações climáticas.
- O que aconteceu em 2001 e 2026 mostra vulnerabilidades: diques rebentaram perto do mesmo local, e há necessidade de analisar o funcionamento do sifão próximo da autoestrada A1.
Coimbra registou, entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, um recorde histórico de precipitação. O dado foi confirmado pela APA e pelo IPMA, que apontam 1.238 milímetros na cidade até 16 de fevereiro. O recorde anterior data de 1966.
A chuva intensificou-se nos últimos dias de janeiro, levando a cheias relevantes. A Barragem de Aguieira recebeu o aporte hídrico 3,5 vezes acima do normal, enquanto a Barragem das Fronhas registou um aumento de sete vezes.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado, esteve em Coimbra para a assinatura de um protocolo entre a APA e a Ordem dos Engenheiros, visando um relatório técnico sobre as cheias de 2026 na Bacia do Mondego e a revisão de modelos de risco.
Segundo a APA, os incêndios ocorridos agravaram a gestão das cheias, assim como o degelo da Serra da Estrela. O objetivo é avaliar o contributo do degelo para o caudal do rio no âmbito do protocolo assinado hoje.
O responsável lembrou que o projeto hidráulico da Bacia do Mondego foi concebido nos anos 1970 e executado nas décadas seguintes, numa altura em que o clima era diferente. O clima atual exige atualizações para aumentar a resiliência.
Machado destacou ainda a necessidade de adaptar o projeto às alterações climáticas, com foco no regime de precipitação e no regime hidrológico, para reduzir vulnerabilidades em eventos extremos.
A ênfase recai na avaliação de infraestruturas, nomeadamente no sifão junto à A1, cujo funcionamento foi afetado pelos incêndios e pela quantidade de madeira queimada no rio. A comunidade científica deverá estudar melhorias.
Várias tempestades atingiram Portugal continental desde o fim de janeiro, com a depressão Kristin a destacar-se a 28 de janeiro. Os episódios trouxeram danos materiais, interrupções e riscos para a população.
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