- A Anthropic recusa a oferta final do Pentágono para uso da sua IA, citando salvaguardas e preocupações com armas autónomas letais e vigilância doméstica em massa.
- O CEO Dario Amodei afirmou que não pode ceder, iniciando uma disputa legal entre a empresa e o Pentágono.
- O Departamento de Defesa comunicou um ultimato com prazo até às 17h de sexta-feira para permitir uso do Claude pelas forças armadas, sob risco de exclusão das cadeias de fornecimento.
- A defesa enviou, na quarta-feira, uma proposta considerada final pela Anthropic, mas rejeitada por incluir formulações legais que poderiam contornar as salvaguardas.
- Se o Pentágono avançar, a Anthropic pode perder um contrato de 200 milhões de dólares e ser excluída da cadeia de fornecimento da defesa, com possibilidades de ação judicial.
A Anthropic, empresa de IA responsável pelo modelo Claude, recusou-se a ceder às exigências do Pentágono. O anúncio foi feito pelo CEO Dario Amodei, numa comunicação publicada na quinta-feira. As negociações chegaram a uma oferta supostamente final, que a empresa rejeitou.
A decisão aconteceu após uma semana de negociações. A Anthropic teme impactos em armas autónomas letais e em vigilância doméstica em massa, mantendo que não pode ceder às condições apresentadas. O caso já é visto como uma disputa jurídica em ascensão.
Conflito com o Pentágono
Na terça-feira, o secretário de defesa, Pete Hegseth, convocou Amodei a Washington e exigiu autorização para uso pelo Exército até às 17h de sexta-feira, sob pena de exclusão da cadeia de fornecimento. O pedido intensificou a pressão sobre a empresa.
Na quarta-feira, o departamento enviou uma proposta considerada final, mas rejeitada pela Anthropic. A empresa argumenta que a nova proposta continha fórmulas legais que poderiam contornar salvaguardas a qualquer momento.
Ponto de controvérsia e consequências
A Anthropic mantém restrições à utilização do Claude em vigilância doméstica em massa e em sistemas de armas totalmente autónomas. Amodei afirma que, mesmo em casos restritos, a IA pode comprometer valores democráticos e que algumas aplicações vão além do que a tecnologia permite com segurança.
A disputa envolve potenciais perdas. Um contrato com o Pentágono, no valor de cerca de 200 milhões de dólares, pode ficar comprometido, o que poderá desencadear uma ação judicial por parte da Anthropic, segundo fontes próximas ao processo.
Contexto e leituras externas
Relatos do Financial Times indicam que a tensão começou após um contacto entre um funcionário da Anthropic e um colega da Palantir Technologies, sugerindo interesse militar no uso da tecnologia. A Anthropic minimiza a interpretação, descrevendo o episódio como técnico e não político.
De acordo com o Wall Street Journal, analistas jurídicos avaliam que a Anthropic pode ter defesas fortes caso seja classificada como risco pela cadeia de fornecimento. O debate envolve ainda a eventual aplicação do Defense Production Act, uma lei que pode permitir ao governo aceder à tecnologia da empresa sem acordo comercial.
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