- Sofia Craveiro foi distinguida com o Prémio Mário Soares, Liberdade e Democracia, pela série de artigos “Arquivos de Media — Memória Sem Garantia de Preservação”, publicada na plataforma Gerador, após dois anos de investigação.
- O galardão foi entregue no Parlamento pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e pela deputada Paula Cardoso, a representar o júri.
- Na cerimónia, a jornalista alertou para o jornalismo precário, refém de interesses financeiros, de cliques e de tentativas de intimidação autoritária, e pediu estruturas independentes de financiamento público.
- Craveiro defendeu a criação de mecanismos que garantam a preservação da memória mediática e exigiu que o jornalismo digital permaneça para a posteridade, sem manipulação de datas ou conteúdos online.
- O prémio, no valor de 25 mil euros, tem como objetivo distinguir trabalhos centrados nos valores defendidos por Mário Soares, com o júri composto por deputados, representantes da academia e da Fundação Mário Soares.
Sofia Craveiro, vencedora da primeira edição do Prémio Mário Soares, Liberdade e Democracia, apresentou hoje, no Parlamento, alertas sobre o jornalismo atual. A jornalista destacou que a profissão enfrenta precariedade, desvalorização e descredibilização, em especial num contexto de pressões económicas e políticas.
A distinção foi entregue pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e pela deputada Paula Cardoso, em representação do júri. Craveiro recebeu o galardão por uma série publicada na plataforma Gerador, intitulada Arquivos de Media — Memória Sem Garantia de Preservação, concluída após dois anos de pesquisa.
No discurso, a laureada sublinhou que o jornalismo se desenvolve num cenário de instabilidade e de competição por cliques e gostos algorítmicos. Fez um apelo aos deputados para promoverem condições que assegurem uma prática jornalística independente e responsável.
Defendeu ainda a criação de estruturas que assegurem financiamento público independente, como forma de evitar a interferência de interesses externos no trabalho informativo. O objetivo é assegurar a preservação da memória jornalística no longo prazo, sem distorções.
Durante o seu discurso, Craveiro recordou a memória de famílias da região da Covilhã, onde cresceu, associando o cravo vermelho à luta de operárias e operários que marcaram a memória histórica local. A jornalista afirmou que esse símbolo reforça a motivação para manter o jornalismo fiel à verdade.
A premiada reforçou a importância de preservar a memória coletiva e pediu aos deputados que protejam o patrimônio digital para que futuras gerações não encontrem alterações relevantes no registo histórico por simples modificações de dados.
O Prémio Mário Soares, lançado no ano passado pelo presidente da Assembleia da República, celebra o legado do antigo primeiro-ministro e presidente de Estado, com o objetivo de reconhecer trabalhos centrados nos valores defendidos por ele. O prêmio tem quota de 25 mil euros e é atribuído após proposta do júri, que inclui deputados, académicos e membros da Fundação Mário Soares.
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