- Trabalhadores da agência Lusa concentraram-se em Lisboa e no Porto e aprovaram uma resolução a exigir a revisão dos estatutos e uma manifestação para 12 de março, caso não recebam respostas.
- Em Lisboa, mais de cinquenta trabalhadores participaram no plenário e a resolução teve 102 votos a favor, com uma abstenção; criticam o processo de reestruturação e o novo modelo de governação, defendendo a independência da agência.
- Exigem a revisão dos estatutos, rejeitam a mudança de sede para o edifício da RTP e as sinergias que possam comprometer a independência funcional, e solicitam a negociação imediata do caderno reivindicativo.
- A resolução manda os sindicatos apresentar as preocupações ao Presidente da República eleito, aos partidos com assento na Assembleia da República, ao Governo e ao Provedor de Justiça.
- Houve solidariedade de representantes políticos e de membros da Comissão de Trabalhadores da RTP; a direção da Lusa disse que vai marcar reuniões com a CT e os sindicatos para esclarecer dúvidas.
Desde Luanda… Não, desde Lisboa: trabalhadores da Lusa realizaram concentrações na quinta-feira à porta da empresa, em Lisboa e no Porto, para exigir respostas sobre a reestruturação e a revisão dos estatutos. Foi aprovada uma resolução que aponta para a necessidade de discussões formais e de uma manifestação se não houver contactos.
Em Lisboa, mais de 50 trabalhadores reuniram-se no plenário diante da sede. A discussão centrouse nas dúvidas sobre o futuro da agência e na revisão estatutária. A resolução foi aprovada por larga maioria, com 102 votos a favor e uma abstenção, contando com participação remota.
A resolução repudiou a forma como o Governo confirmou o processo de reestruturação e o novo modelo de governação, considerado pouco transparente. Os trabalhadores exigem, entre outros pontos, a imediata negociação do caderno reivindicativo.
Mantêm-se mobilizados para evitar que a sede seja transferida para o edifício da RTP, bem como para impedir sinergias que ponham em causa a independência funcional da Lusa. A data de 12 de março ficou marcada para uma manifestação frente ao Governo, em Lisboa.
Além disso, a resolução manda os sindicatos apresentar as preocupações ao Presidente da República eleito, aos partidos com assento na Assembleia, ao Governo e ao Provedor de Justiça. A correspondente participação institucional pretende ampliar o alcance das reclamações.
Susana Venceslau, dirigente do Sindicato dos Jornalistas, alertou para ingerência política nas medidas em curso. Confirmou que os trabalhadores não vão parar enquanto não obtiverem respostas.
Entre as principais preocupações estão três nomeações de administradores diretamente pelo Governo e a criação de um conselho consultivo com apenas dois representantes dos trabalhadores. A Direção de Informação pode ouvir-se na Assembleia da República com frequência.
A delegada sindical enfatizou que a linha editorial deve manter independência, ressaltando que o jornalismo não pode ficar sujeito ao escrutínio político. A reestruturação é apontada como ponto sensível para a autonomia da agência.
Também existem dúvidas sobre a real transferência da sede de Lisboa para as instalações da RTP, alegadamente não comunicada de forma oficial. Susana Venceslau descreveu o movimento como um risco de desmantelamento da instituição.
O plenário desta quinta contou com intervenções de delegados, da Comissão de Trabalhadores e do Conselho de Redação, além de trabalhadores presenciais e à distância. Cerca de 40 pessoas acompanharam via Teams, em Portugal e no estrangeiro.
Em Lisboa, estiveram presentes a deputada do Livre Filipa Pinto e uma membro do PCP, Bárbara Carvalho, expressando solidariedade e preocupação com a situação. A participação institucional reforça a visibilidade do movimento.
Na delegação do Porto, a redação da Lusa ficou vazia; mais de uma dezena de trabalhadores estiveram à entrada das instalações. Jorge Eusébio, da CT da Lusa, sublinhou que os trabalhadores estão preocupados com o futuro e a independência.
Os sindicatos questionaram a Comissão Europeia sobre possível abertura de procedimento para analisar o direito europeu na reestruturação. O Conselho de Administração informou que vai agendar reuniões com a CT e os sindicatos para esclarecer dúvidas sobre o plano de modernização.
Entre na conversa da comunidade