- O BERD projeta crescimento agregado de 3,4% em 2025, 3,6% em 2026 e 3,7% em 2027, com revisão positiva de 0,2% para 2025.
- A fragmentação geopolítica prejudica menos o comércio mundial do que o esperado; os EUA não são grande mercado para o BERD, impacto principal é indireto.
- Regiões do BERD devem ver aceleração: Europa Central e Estados Bálticos a 2,9% em 2026; Balcãs Ocidentais a 3,1% em 2026; Turquia a 4,0% em 2026; Ucrânia revista para 2,5% em 2025.
- As tensões entre EUA e China levaram a redirecionamento de exportações para outras regiões e ao aumento de oferta chinesa no mercado BERD, mas efeitos macro ainda não se materializaram plenamente.
- A inflação caiu para 5,5% em dezembro de 2025; o investimento público e grande infraestruturas devem sustentar o crescimento regional.
O Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) projeta um crescimento mais rápido nas suas regiões de atuação, impulsionado pela melhoria da cadeia de abastecimento. As semanas recentes de tensão comercial não abalaram o ritmo esperado para os próximos dois anos.
Segundo o BERD, o crescimento agregado pode passar de 3,4% em 2025 para 3,6% em 2026 e chegar a 3,7% em 2027. A revisão de 0,2 ponto percentual para 2025 acompanha dados mais favoráveis face a setembro.
Beata Javorcik, Economista-chefe do BERD, afirma que as economias da região mostram maior adaptação às tensões comerciais. Os efeitos diretos nos EUA são limitados para muitos países emergentes abrangidos pelo banco.
A Europa Central, segundo a responsável, depende menos do mercado norte-americano e sente impactos indiretos, especialmente na Alemanha, por via das ligações com a Europa Central. O cenário compõe uma visão de recuperação gradual.
Perspetivas regionais
A Ásia Central mantém um desempenho sólido, com 5,6% de crescimento previsto para 2026, após 6,9% em 2025, sustentado por consumo, crédito e remessas.
Já a Europa Oriental e o Cáucaso apresenta perspetivas mais conservadoras, com 2,9% de expansão esperada para 2026. A Ucrânia vê o crescimento de 2,5% para este ano, com avanços dependentes de acordos de paz.
A Turquia pode atingir 4,0% em 2026, beneficiando de políticas monetárias estáveis e de menor volatilidade, enquanto o Sul e Leste do Mediterrâneo deverá crescer 4,2% no mesmo período.
Mudanças nas rotas comerciais
O relatório destaca o impacto do impasse EUA-China. Com a redução dos volumes bilaterais em 2025, compradores norte-americanos procuraram fornecedores alternativos.
Diversos países do BERD passaram a exportar mais para os EUA em setores como tecnologia e metais, enquanto a China expandiu as suas entregas para a região, aproveitando custos competitivos.
A economista-chefe nota que o receio de desvio maciço de exportações chinesas não se materializou para a Europa emergente, embora a China permaneça concorrente relevante.
O documento também sinaliza que os efeitos macroeconómicos das tarifas norte-americanas ainda podem nascer de forma gradual, já que encomendas antecipadas reduziram o choque a curto prazo.
Inflação, investimento e infraestruturas
A inflação na área de atuação do BERD arrefeceu para 5,5% em dezembro de 2025, apoiada pela contenção salarial e por juros reais positivos, reforçando o poder de compra.
O BERD antecipa aceleração da atividade na Europa Central e nos Estados Bálticos, para 2,9% em 2026, impulsionada por investimento público e compromissos do Mecanismo de Recuperação da UE.
Conclui ainda que grandes projetos de infraestruturas nos Balcãs Ocidentais podem sustentar o crescimento regional em 2026, estimado em 3,1%.
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